O comércio de Petrópolis
encerrou 2025 com saldo positivo de 222 empregos formais, segundo dados
oficiais do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, levantamento
do Ministério do Trabalho). No mesmo período, considerando todos os setores da
economia, o município registrou a abertura de 559 postos de trabalho. O
resultado confirma o peso do varejo na estrutura econômica local: sozinho, o
setor respondeu por aproximadamente 40% das novas vagas criadas na cidade.
Apesar do saldo positivo no
acumulado do ano, o desempenho foi marcado por forte volatilidade ao longo dos
meses. O início de 2025 foi desafiador, com retração em janeiro (-142) e março
(-81). A recuperação ganhou fôlego em abril (+92), mas voltou a perder ritmo no
meio do ano.
Chamou atenção o desempenho
negativo em junho (-55) e julho (-54), meses tradicionalmente associados à alta
temporada de turismo na cidade. Para a Câmara de Dirigentes Lojistas de
Petrópolis, o dado indica que o fluxo turístico nem sempre se converte
automaticamente em consumo no varejo tradicional.
“Junho e julho costumam ser
meses importantes para a economia local, mas o comércio enfrentou um cenário de
crédito caro e maior cautela do consumidor. O turista veio, mas o ticket médio
foi mais contido”, avalia o presidente da CDL, Cláudio Mohammad, indicando a
necessidade de estratégias – públicas e privadas – para incremento das vendas.
A retomada mais consistente
ocorreu a partir de agosto (+150), consolidando-se de forma expressiva em
novembro, quando o setor registrou o melhor desempenho do ano: 247 novas vagas
formais, impulsionadas pelas contratações temporárias e pela preparação para o
Natal.
“O comércio tem forte
correlação com datas sazonais. Novembro mostrou a capacidade de reação do setor
quando há expectativa positiva de vendas. O Natal continua sendo o principal
motor de geração de empregos no varejo”, destaca Mohammad. Dezembro fechou praticamente
estável (+3), refletindo o encerramento de parte das vagas temporárias abertas
no mês anterior.
Na avaliação da entidade, o
saldo de 222 postos em 2025 é consistente, sobretudo diante de um ambiente
macroeconômico marcado por juros elevados e maior seletividade na concessão de
crédito. Ainda assim, a oscilação mensal revela a necessidade de planejamento
mais estratégico e ações contínuas de estímulo ao consumo ao longo do ano.
Para 2026, a expectativa é
moderadamente otimista. A possível redução da taxa básica de juros pode
melhorar as condições de financiamento e estimular compras de maior valor
agregado, além de favorecer a recomposição do orçamento das famílias.
“O comércio demonstrou
resiliência em 2025. Se o cenário de juros começar a se tornar mais favorável,
podemos ter um ano de crescimento mais equilibrado, com menos oscilações
bruscas entre os meses”, projeta o presidente da CDL. Cláudio
Mohammad reforça que políticas de incentivo ao empreendedorismo, qualificação
profissional e fortalecimento do calendário promocional da cidade serão
determinantes para transformar o saldo positivo em trajetória sustentável de
expansão do emprego no varejo petropolitano.


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