A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Águas do Imperador realizou na última sexta-feira (30) sua primeira oitiva com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na prestação dos serviços de saneamento básico no município de Petrópolis. A comissão, presidida pela vereadora Professora Lívia, teve início no dia 14 de novembro de 2025 e é composta também pelo vereador Léo França, como vice-presidente, e o vereador Júnior Paixão, no papel de relator.
A reunião teve como foco principal questões relacionadas ao licenciamento
ambiental de estações de tratamento de água e esgoto, bem como à fiscalização
do cumprimento de condicionantes ambientais.
Foram ouvidos pela comissão o assessor técnico e ex-diretor de Licenciamento Ambiental,
Vitor Moreira; a diretora de Licenciamento Ambiental, Juliana Barreto do
Nascimento; e o secretário municipal de Meio Ambiente, Pedro Henrique Pereira.
Durante os depoimentos, vereadores questionaram sobre a situação das licenças
ambientais de diversas unidades operadas pela concessionária, incluindo
Estações de Tratamento de Água (ETAs), Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs)
e biodigestores em diferentes regiões do município.
Os representantes da Secretaria de Meio Ambiente esclareceram que, conforme a
legislação vigente, quando o pedido de renovação da licença é protocolado
dentro do prazo legal, a atividade pode continuar enquanto o processo
administrativo estiver em análise. Foi informado, no entanto, que parte das
renovações permanece pendente em razão do não cumprimento de condicionantes
ambientais e da necessidade de complementação de estudos técnicos apresentados
pela concessionária.
Entre os temas abordados esteve o chamado “estudo de soleira”, exigido para o
licenciamento de determinadas estações de tratamento, que, segundo os técnicos,
foi considerado insuficiente em análises anteriores e segue pendente de
adequação. Também foram discutidos o atendimento aos parâmetros ambientais
previstos em normas técnicas específicas, a aplicação de multas ambientais e os
recursos judiciais apresentados pela empresa.
Outro ponto debatido foi a instalação de tubulações no leito do Rio
Quitandinha, na região da Rua Coronel Veiga. Os depoentes informaram que houve
autorização emergencial, em 2023, para serviços de manutenção após os eventos
climáticos de 2022, com o objetivo de evitar o lançamento de esgoto sem
tratamento. Ressaltou-se que a avaliação de impactos hidráulicos mais amplos
demanda estudos técnicos de engenharia e envolve outros órgãos competentes.
Durante a oitiva, também foram mencionadas denúncias de lançamento irregular de
esgoto em corpos hídricos. A vereadora Professora Lívia pontuou que tais
situações configuram crime ambiental: “Com base na documentação apresentada, há
trechos que a Águas do Imperador não está coletando o esgoto que é lançado nos
rios, a atual gestão da secretaria de Meio Ambiente foi informada por relatório
da Comissão Fiscalizadora e também tem ciência de que isso configura crime
ambiental. Além disso, seguimos questionando como a empresa pode seguir
operando na cidade com tantas licenças vencidas. Todas essas informações vieram
da documentação solicitada pela CPI. Ou seja, é de conhecimento da atual gestão
municipal”.
Ao final da sessão, a CPI deliberou pela solicitação formal de documentos,
incluindo relatórios de multas aplicadas nos últimos anos, cópias dos processos
de licenciamento ambiental em tramitação e laudos técnicos relacionados às
intervenções realizadas na Rua Coronel Veiga. As informações irão subsidiar a
continuidade dos trabalhos da comissão e a elaboração do relatório final.
A CPI da Águas do Imperador segue com novas oitivas previstas para os dias 03,
05 e 06 de fevereiro, dando prosseguimento à apuração dos fatos dentro de suas
atribuições legais.


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