Uma das doenças que mais
desafiam a medicina ao longo da história começa a ganhar novos horizontes com o
avanço dos testes clínicos das vacinas de RNA mensageiro contra o câncer. Neste
4 de fevereiro, data que marca o Dia Mundial do Câncer, o Centro de Terapia
Oncológica de Petrópolis destaca uma série de avanços com relação à doença nas
últimas décadas e aponta as vacinas ARN como uma aposta promissora para
estimular o sistema imunológico a combater diferentes tipos de tumor.
Em testes com camundongos, a
vacina experimental desenvolvida por pesquisadores da Universidade da Flórida,
nos Estados Unidos, potencializou os efeitos da imunoterapia e eliminou os
tumores. A vacina usa uma molécula de RNA mensageiro, que é envolta em pequenas
partículas de gordura, levando instruções às células e gerando a resposta
imunológica. O próximo passo é o teste em humanos. Se os efeitos forem
replicados, como ocorreu com os camundongos, será aberto um caminho para uma
vacina universal.
Médica Oncologista do CTO,
Carla Ismael explica que há ainda que se esperar os resultados dos testes e que
leva um tempo até que os novos tratamentos estejam disponíveis em massa para os
pacientes, mas acredita que muito em breve estarão acessíveis novas formas de combater
o câncer. Ela lembra que os tratamentos existentes atualmente já são totalmente
diferentes dos que existiam 20 anos atrás. Ela cita que há um arsenal
terapêutico muito mais amplo, com novas cirurgias, aparelhos modernos de
radioterapia, medicamentos quimioterápicos mais seletivos, imunoterapias e,
agora, as vacinas que começam a aparecer como possibilidade de evolução para um
futuro próximo.
“Sabemos que a incidência do
câncer vem aumentando progressivamente em todo o mundo, impulsionada por fatores
como o envelhecimento da população, o crescimento da obesidade e o consumo
frequente de alimentos ultraprocessados. Ao mesmo tempo, o cenário atual da
oncologia aponta para um período de profundas transformações, com tratamentos
mais eficazes e cada vez mais personalizados”, explica a médica.
Os avanços começam no
diagnóstico, que passou a ser realizado de forma cada vez mais precoce graças a
novos recursos radiológicos e epidemiológicos. Essa detecção antecipada permite
intervenções mais eficazes e, em muitos casos, tratamentos menos agressivos.
“Quando o câncer é diagnosticado precocemente, muitas vezes pode ser tratado
apenas com cirurgia e com grandes chances de cura”, comenta Carla.
Novas técnicas cirúrgicas vêm
se tornando cada vez menos invasivas, enquanto os equipamentos de radioterapia
atuais são capazes de atingir o tumor de forma milimétrica, preservando os
tecidos saudáveis ao redor. Na oncologia clínica, os medicamentos passaram a
ser mais direcionados para cada tipo específico de tumor, e as terapias
imunológicas têm papel fundamental ao potencializar a resposta do próprio
sistema imunológico do paciente.
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| Dra. Carla Ismael / Foto: Divulgação |
Prevenção
Apesar dos avanços
tecnológicos, a prevenção segue sendo um pilar fundamental no controle do
câncer. Segundo a oncologista, manter um estilo de vida saudável é decisivo
para reduzir os fatores de risco da doença. Não fumar é a principal medida
preventiva, seguida pela prática regular de atividade física, controle do peso
e uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e proteínas, com
redução do consumo de açúcar, doces, alimentos ultraprocessados, enlatados e
fast food.
A realização de exames
periódicos também é essencial para o diagnóstico precoce. “Mamografia para
mulheres, exames de próstata para homens, colonoscopia, exames de imagem para o
pulmão em grupos de risco e o exame preventivo ginecológico anual são
estratégias fundamentais para identificar alterações em fases iniciais da
doença”, reforça.



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