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| Foto: Serra Drone |
O projeto DUI-RRD Cidades,
iniciativa conjunta da Fiocruz e Ministério das Cidades, realizou a rodada de
apresentação de projetos dos municípios. A etapa fundamental reuniu equipes de
11 cidades para detalhar como serão aplicados os princípios do Desenvolvimento
Urbano Integrado nos territórios visando reduzir riscos relacionados a
desastres que são acentuados pela emergência climática. Consolidando as
orientações compartilhadas ao longo dos últimos meses, foram apresentadas nove
propostas. O material, que reflete o amadurecimento das gestões locais, passa
agora por uma análise técnica, servindo de base para a seleção das cidades que
testarão, na prática, as metodologias do manual DUI-RRD.
Para a equipe que coordena o
DUI-RRD Cidades, o evento marcou o amadurecimento de um processo que começou em
maio de 2025, quando 12 municípios foram selecionados entre 21 candidatos. Ao
longo do último ano, as propostas foram lapidadas com oficinas temáticas,
adaptando as ideias originais à metodologia que prioriza a redução de riscos de
desastres através da integração de políticas públicas, da participação social,
da preservação ambiental e adaptação das cidades às mudanças climáticas,
reconhecendo o potencial dessas estratégias em proteger a vida e promover a
saúde da população.
A grande expectativa agora
gira em torno da seleção dos seis municípios pilotos que serão anunciados na
próxima segunda-feira (09/02). O anúncio oficial será feito nos canais oficiais
do Ministério das Cidades e da Fiocruz.
Ao longo de 2026, essas
cidades serão os laboratórios vivos para a validação do manual técnico
desenvolvido em 2025. "O objetivo deste ano é justamente a gente buscar
implementar a metodologia nos municípios para validar o manual e fazer os
ajustes necessários. É uma oportunidade de troca: o município aprimora seu
projeto com nosso apoio técnico e, simultaneamente, contribui para o
aperfeiçoamento da metodologia para que seja relevante na escala
nacional", destacou Talita Gantus, da Equipe Executora.
Conheça o projeto de
Petrópolis: Pequenas ações, grandes mudanças e o protagonismo comunitário
Sob o lema "Pequenas
ações, grandes mudanças", a estratégia focada no território do
Luzitano/Caxambu inverte a lógica tradicional do planejamento: em vez de o
poder público ditar as soluções, a Defesa Civil atua como ponte para que os
diálogos técnico-comunitários e o protagonismo das lideranças locais guiem as
intervenções de planejamento urbano e meio ambiente.
A escolha do Caxambu
justifica-se pelo alto nível de organização do seu Núcleo Comunitário de Defesa
Civil (Nudec). Os moradores da região já possuem autonomia para realizar
reuniões próprias e diagnósticos, sendo os principais atores na construção do
mapa participativo que definiu as intervenções prioritárias para enfrentar o
histórico de desastres e deslizamentos recorrentes.
Para garantir que o projeto
sobreviva às gestões, Petrópolis aposta na conjunção de políticas setoriais. O
objetivo é que as ações saiam do campo do improviso e entrem formalmente no
orçamento e na rotina das secretarias de Obras, Meio Ambiente e da Companhia
Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep). O projeto piloto servirá
como insumo oficial para a revisão do Plano Diretor, transformando a escuta da
comunidade em uma política pública constante de planejamento urbano integrado.
“A proposta ‘Petrópolis
Resiliente: Plano Integrado para Redução de Riscos Geo-Hidrológicos’ é uma
iniciativa nova, mas também amplia e integra programas já existentes, como o
Escola Resiliente e o fortalecimento dos núcleos comunitários de Defesa Civil
(Nudecs)”, explicou a geóloga da Defesa Civil, Caroline Dutra.
Seis projetos serão
selecionados e trabalhos começam imediatamente
Para os seis selecionados, o
trabalho começa imediatamente com encontros remotos periódicos a partir de
março, seguidos por uma grande oficina presencial em maio para ajustar o manual
à realidade de cada território. Já para os demais municípios que não ficarem
entre os seis selecionados para esta 2ª fase, a jornada não termina aqui: a
coordenação do projeto garantiu que eles poderão seguir acompanhando todas as
atividades, atuando como observadores e garantindo que o aprendizado seja
disseminado para além das fronteiras dos projetos pilotos que serão
consolidados.
Luis Madeira, coordenador do
projeto DUI-RRD Cidades e um dos representantes da Fiocruz no Núcleo Gestor do
projeto, ressalta a relevante contribuição realizada pelos 12 municípios
selecionados na 1ª fase do projeto ao longo desse período, cujo resultado estará
consolidado na versão preliminar do manual que será a referência para a
implementação da metodologia nesta próxima fase do projeto.
Como destacou a equipe técnica
no encerramento da última reunião, este é um processo dialógico: o município
aprimora seu projeto e, em troca, ajuda o Brasil a construir uma política
pública de resiliência muito mais assertiva, participativa e humanizada.
Para os atores do Grupo de
Trabalho Ampliado (GTA), as atividades também se desdobrarão ao longo de 2026:
há a previsão de articulação da diversidade de segmentos sociais que compõem
esse grupo consultivo, de modo que sua visão e expertise sejam incorporadas ao
manual durante esse processo de implementação nos seis municípios e o
consequente aprimoramento do documento até o lançamento da versão final,
prevista para dezembro de 2026.


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