A relação contratual entre o Município de Petrópolis e a concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto, Águas do Imperador, deve ser investigada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Isto porque o deputado estadual Yuri Moura e a vereadora Julia Casamasso protocolaram uma ação contra a Prefeitura de Petrópolis e a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) apontando denúncias de irregularidades administrativas, financeiras e contratuais na prorrogação da subconcessão do saneamento em favor da Águas do Imperador S.A, pertencente ao grupo Águas do Brasil. A Prefeitura de Petrópolis já recebeu R$26 milhões pela renovação do contrato. O pedido inclui a concessão de medida cautelar para suspender os efeitos do aditivo até a conclusão da análise técnica da Corte de Contas.

 

“É uma renovação irresponsável. A prorrogação do contrato já tinha sido feita pelo governo anterior. Petrópolis saiu no prejuízo, está renunciando às receitas futuras, e o prefeito precisa ser responsabilizado. Não há um estudo técnico que justifique a renovação, neste momento, por quase 30 anos. A prefeitura está tentando tapar o rombo da má gestão com o pagamento milionário da Águas do Imperador, ou seja, antecipando receitas quando deveria garantir planejamento e responsabilidade fiscal”, disse Yuri.

 

Além da extensão do prazo até 2052, o termo aditivo questionado prevê reajuste ordinário da Tarifa Referencial de Água de 7,48% a partir de janeiro de 2026 e autoriza reajustes adicionais anuais de 2,04% entre 2026 e 2033, vinculados ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Ou seja, o impacto na conta tende a ser de 10% acima. Na avaliação dos denunciantes, esse modelo impõe uma dupla incidência tarifária sobre o usuário, com efeito cumulativo permanente, em afronta ao princípio da modicidade tarifária e sem demonstração clara do impacto real sobre as famílias. Por isso, os parlamentares também entraram com ação popular contra a renovação contratual.

 

A vereadora Julia Casamasso destacou o impacto da renovação na conta de água e defendeu o serviço público: “Além do pedido ao TCE, entramos com ação popular. Água é um direito essencial. Não faz sentido entregar um serviço básico por décadas a uma empresa privada enquanto a população paga cada vez mais caro por um serviço péssimo. Enquanto cidades como Paris, Berlim e Buenos Aires reestatizaram o serviço de água nas últimas décadas, Petrópolis segue na contramão: contrato longo, pouco retorno ao município e a conta empurrada para a população”, declarou.

 

O histórico contratual apresentado ao TCE mostra que o serviço de saneamento em Petrópolis é objeto de sucessivas prorrogações desde a década de 1990, sempre acompanhadas de reajustes tarifários e alterações relevantes nas condições originalmente pactuadas. De acordo com a denúncia, a prática consolidou um modelo em que o equilíbrio do contrato é reiteradamente recomposto por meio de aumentos na tarifa paga pela população, sem garantias proporcionais de melhoria na qualidade do serviço, que segue alvo de reclamações recorrentes quanto a intermitências no abastecimento, falhas no tratamento de esgoto e atraso na execução de obras estruturais, como estações de tratamento vinculadas ao Comitê Piabanha.

 

A denúncia também sustenta que a prorrogação antecipada do contrato configura renúncia de receita futura, ao mitigar obrigações financeiras que poderiam ser exigidas da concessionária em um novo processo licitatório ou em condições mais vantajosas para o poder público. Segundo os parlamentares, a medida compromete receitas potenciais do município e transfere ônus para as próximas gerações, sem estimativa clara do impacto financeiro e sem medidas compensatórias, em desacordo com a legislação fiscal e com os princípios que regem a administração pública.

 

No campo do controle social, a representação aponta a ausência de audiência pública específica e de consulta ampla à população para discutir uma decisão que altera de forma profunda e duradoura a prestação de um serviço essencial. Para os denunciantes, a falta de debate público viola a legislação do saneamento e enfraquece a transparência e a legitimidade do ajuste, sobretudo diante do aumento das tarifas e da extensão excepcional do prazo contratual.

 

Mais informações sobre o projeto e sobre o mandato do deputado podem ser acompanhadas pelas redes sociais @yurimourarj no Facebook, Instagram e YouTube, além do WhatsApp (24) 99955-2730.

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