O avanço dos casos de diabetes
e obesidade no Brasil tem preocupado especialistas e reforçado a necessidade de
mudanças nos hábitos da população. Dados do Ministério da Saúde indicam que,
entre 2006 e 2024, o número de pessoas com diabetes aumentou 135%, enquanto os
casos de obesidade cresceram 118% no país.
O cenário reflete
transformações no estilo de vida da população, cada vez mais marcado pelo
sedentarismo e pelo consumo de alimentos ultraprocessados. Para a
endocrinologista e coordenadora do curso de Medicina da UNIFASE/FMP, Patrícia
Tavares, esse conjunto de fatores têm impacto direto no aumento dessas doenças.
"Entre eles, o consumo
frequente de alimentos ultraprocessados, produtos industrializados com alto
teor de açúcar, gordura e sódio, a baixa ingestão de fibras e o estilo de vida
sedentário. Além da prática insuficiente de atividade física, o comportamento
sedentário ao longo do dia, como passar muitas horas sentado, também contribui
para o aumento do risco cardiovascular", explica a médica.
A especialista ressalta que o
problema é multifatorial e envolve também questões biológicas e demográficas.
"O envelhecimento da população e a predisposição genética são fatores
relevantes. Ou seja, o problema não tem uma única causa, o que torna a prevenção
e o tratamento ainda mais desafiadores", afirma.
Além dos impactos na saúde
individual, o aumento dessas doenças também representa um desafio para o
sistema de saúde. O diabetes, por exemplo, está associado a complicações
graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência
cardíaca, o que eleva os custos do tratamento e exige acompanhamento contínuo.
Diante desse cenário,
iniciativas locais têm buscado ampliar o acesso ao cuidado especializado. Em
Petrópolis, o Ambulatório Escola da UNIFASE (AMBE) mantém um programa voltado
ao atendimento de pacientes com obesidade grave, oferecendo acompanhamento
gratuito e contínuo.
Criado em 2022, o projeto
surgiu a partir de uma demanda identificada nos atendimentos da instituição,
onde mais de 30% dos pacientes apresentavam obesidade em grau elevado. A partir
desse diagnóstico, foi estruturado um modelo de cuidado mais próximo, com foco
na continuidade do tratamento.
De acordo com a preceptora de
Nutrição do ambulatório, Fernanda Muniz, o diferencial está na atuação
integrada de diferentes áreas da saúde. "Profissionais e estudantes das
áreas de Nutrição, Medicina e Saúde Mental atuam em conjunto, entendendo que a
obesidade não vem sozinha. Ansiedade, depressão e compulsão alimentar estão
frequentemente associadas ao quadro", relata Fernanda.
Atualmente, 54 pacientes são
acompanhados pelo programa. Mais do que a perda de peso, o objetivo é promover
mudanças sustentáveis no estilo de vida e contribuir para a melhora da
qualidade de vida dos atendidos.


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