Foto: Palácio Sesc Quitandinha / Foto: Divulgação


Em uma cidade onde a agenda cultural ganha cada vez mais fôlego, o CineSesc Quitandinha vem se consolidando como um espaço essencial para quem busca mais do que entretenimento: uma experiência de reflexão por meio do cinema. Instalado no Centro Cultural Sesc Quitandinha, o projeto ocupa um dos endereços mais emblemáticos de Petrópolis e propõe uma programação que valoriza narrativas autorais, muitas vezes fora do circuito comercial.


O antigo Palácio Quitandinha, conhecido por sua imponência e história, hoje abriga um centro cultural pulsante, onde diferentes linguagens artísticas convivem. É nesse cenário que o CineSesc se destaca, com sessões que apostam em curadorias temáticas e na exibição de filmes que dialogam com questões sociais, históricas e identitárias. Mais do que assistir, o público é convidado a pensar — e, em muitos casos, a participar ativamente, por meio de debates e encontros.


Na terça-feira, 28 de abril, essa proposta se reafirma com a mostra “Brasil História: Desvendar o Que Não Foi Descoberto”, que ocupa a tela com obras que revisitam episódios e vivências pouco explorados nos registros tradicionais. A seleção de abril volta o olhar para a brasilidade em suas múltiplas camadas, destacando histórias de resistência, ancestralidade e pertencimento.


A programação começa às 15h com a exibição de Yõg Ãtak – Meu Pai, Kaiowá. O documentário parte de uma busca íntima para abordar a realidade do povo Kaiowá, entrelaçando relações familiares com questões urgentes como território, identidade e sobrevivência cultural. A narrativa se constrói de forma sensível, revelando a força de histórias que resistem ao apagamento.


À noite, às 19h, o destaque é o longa Malês, que leva o público ao século XIX para revisitar a Revolta dos Malês — um dos levantes mais significativos protagonizados por africanos muçulmanos escravizados no Brasil. O filme resgata a organização, a espiritualidade e a luta por liberdade desses grupos, trazendo à tona um capítulo muitas vezes negligenciado da história nacional. Após a sessão, o debate com Rodrigo de Odé amplia a discussão e cria um espaço direto de troca com o público.


Ao apostar em mostras como essa, o CineSesc reforça seu papel como agente cultural ativo na cidade. Em tempos de consumo rápido de imagens, o espaço se dedica ao oposto: desacelerar, contextualizar e oferecer ao espectador a chance de se reconectar com narrativas que ajudam a compreender o Brasil em sua complexidade.


Assistir a um filme no Quitandinha, nesse contexto, deixa de ser apenas um programa cultural. Torna-se um convite ao encontro — com o outro, com a história e, muitas vezes, consigo mesmo.

 


Serviço

CineSesc –  Centro Cultural Sesc Quitandinha

Local: Café Concerto
28 de abril de 2026 (terça-feira)
(Avenida Joaquim Rolla, 2 – Quitandinha, Petrópolis)
Filmes:

  • 15h: Yõg Ãtak – Meu Pai, Kaiowá
  • 19h: Malês + debate com Rodrigo de Odé
Entrada gratuita, sujeita à lotação

 

 

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