O Dia Mundial Sem Tabaco, lembrado neste 31 de maio, reforça um alerta importante: nunca é tarde para abandonar o cigarro. A mensagem é destacada pela oncologista, Carla Ismael, do Centro de Terapia Oncológica (CTO), ao explicar que os benefícios da interrupção do tabagismo começam a surgir mesmo em quem fumou por décadas.

“Parar de fumar sempre funciona, mesmo que a pessoa tenha fumado por muitos anos. Com o tempo, o organismo consegue se recuperar. Em cerca de sete a oito anos, o pulmão pode regenerar estruturas que foram danificadas pelo tabaco”, afirma a médica.

O tabagismo é reconhecido como um dos principais fatores de risco para diversos tipos de câncer. Entre os mais comuns estão os que atingem boca, língua, laringe, faringe, traqueia e pulmões. Além disso, há relação direta com tumores de bexiga e até alguns tipos de leucemia. Isso acontece porque as substâncias tóxicas do cigarro entram pelas vias respiratórias e são distribuídas pelo organismo, afetando diferentes órgãos.

Os impactos não se limitam à oncologia. O cigarro também está associado a doenças cardiovasculares, como infarto e obstrução das artérias, que seguem entre as principais causas de morte no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano em todo o planeta, sendo cerca de 1,2 milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo.

A médica chama atenção para sinais que podem indicar problemas relacionados ao tabagismo. No caso do pulmão, sintomas como perda de peso, falta de ar, tosse persistente e presença de sangue no escarro devem ser investigados. Já alterações urinárias com sangramento podem estar associadas a tumores em bexiga ou rins. Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão e dificuldade para engolir também entram na lista de alertas.

Apesar de muitos fumantes tentarem reduzir o número de cigarros por dia, a especialista reforça que essa estratégia não elimina os riscos. 

“Diminuir pode até reduzir a exposição, mas não resolve. O problema é o contato contínuo com as substâncias tóxicas ao longo do tempo. Para reduzir de fato o risco de câncer, o ideal é parar completamente”, orienta.

Atualmente, há diversas formas de apoio para quem deseja abandonar o vício, incluindo acompanhamento psicológico, tratamentos medicamentosos e suporte multiprofissional.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece programas gratuitos de cessação do tabagismo.

A mensagem, segundo a oncologista, é direta: a decisão de parar impacta de forma significativa a qualidade e a expectativa de vida. “A pessoa passa a viver melhor e com muito menos risco de desenvolver câncer e doenças cardiovasculares”, conclui.

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