Sem um diagnóstico preciso sobre como Itaipava cresceu na última década, qualquer tentativa de resolver os gargalos do distrito tende a ser paliativa. É com esse argumento que a associação Unidos por Itaipava (Unita) está apresentando pedido formal ao poder público solicitando a divulgação de dados técnicos detalhados sobre a expansão urbana da região. Entre os indicadores considerados essenciais estão o número de novos alvarás, a evolução das unidades habitacionais, o crescimento da frota de veículos, a expansão da área construída e a variação populacional estimada na última década.


Em contrapartida, quanto se investiu, em verbas públicas, no distrito, em infraestrutura para atender a essas demandas? Esse também é um questionamento que a entidade leva à prefeitura, avaliando que a ausência desse “mapa real do crescimento” compromete tanto o planejamento público quanto a atuação da iniciativa privada.


“Precisamos saber com precisão: Itaipava cresceu quanto e em que ritmo? Sem esses dados, qualquer intervenção em mobilidade ou infraestrutura é apenas paliativa”, afirma o presidente da Unita, Alexandre Plantz. Segundo ele, o distrito já concentra até 17% da circulação de veículos de Petrópolis (estimados em 205 mil veículos registrados), operando, no entanto, sobre uma malha viária praticamente inalterada há décadas. “O planejamento precisa ser baseado em evidências, não em percepções. Esse mapeamento é o ponto de partida para qualquer meta de desenvolvimento sustentável”, completa.


O secretário da entidade, Fabrício Santos, reforça que a transparência dessas informações não é apenas uma demanda institucional, mas um direito coletivo — e uma condição para atrair investimentos qualificados. “Os agentes privados querem investir e gerar empregos, mas precisam de segurança jurídica e técnica. Se o poder público detém dados sobre adensamento urbano e suas consequências, essas informações precisam estar disponíveis e a serviço do planejamento estratégico”, defende.


De acordo com a Unita, o crescimento acelerado e pouco monitorado já se reflete diretamente na qualidade de vida, com congestionamentos recorrentes e sobrecarga em serviços essenciais. “A proposta é que os dados solicitados sirvam de base para a formulação de um Plano de Mobilidade consistente e para projetos de infraestrutura alinhados à demanda real do distrito. Temos a mobilidade como a principal bandeira, mas sabemos que ela também é um reflexo direto de um conjunto mais amplo de pressões urbanas. Sem dados, não há como dimensionar nem priorizar soluções — e o risco é seguir enxugando gelo em vez de atacar as causas estruturais do problema”, aponta Alexandre Plantz.


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