Aberta ao público desde 6 de junho e em cartaz até 5 de agosto, na Galeria Arte Graça, em Lisboa, a exposição "Brasil Original, 50+Arte" celebra os 50 anos de carreira do artista visual e curador Cocco Barçante, reunindo artistas convidados do Brasil e de Portugal em uma mostra que promove o diálogo entre diferentes culturas.


Natural de Petrópolis, Cocco iniciou sua trajetória artística em 1976, quando realizou seu primeiro curso de pintura no Centro de Cultura Raul de Leoni. Cinco décadas depois, leva novamente a arte brasileira à capital portuguesa em sua quinta exposição no país europeu.


Entre os destaques da mostra está a participação de três artesãos portugueses que transformaram técnicas tradicionais em obras inspiradas na história, na natureza e na identidade brasileira. As peças demonstram como o artesanato pode aproximar culturas e reinterpretar acontecimentos históricos por meio da criatividade e da tradição.



Maria Cândida Conde Miranda leva a delicadeza da filigrana de papel para a exposição

Natural de Lisboa, Maria Cândida Conde Miranda participa da exposição com uma obra desenvolvida na técnica da filigrana em papel, conhecida pelo minucioso trabalho de enrolar e modelar tiras de papel para formar desenhos e composições em relevo.


Em sua criação, a artista parte de referências ligadas ao patrimônio cultural português, reinterpretando símbolos tradicionais por meio de uma linguagem contemporânea. O contraste entre a delicadeza e a efemeridade do papel e a permanência desses ícones culturais é um dos elementos centrais da obra, que propõe um diálogo entre memória, identidade e inovação artística.


Ao utilizar um material simples e aparentemente frágil, Maria Cândida demonstra como a arte pode transformar elementos cotidianos em narrativas visuais capazes de aproximar diferentes culturas e despertar novas leituras sobre a tradição portuguesa.

Nuno Rosa Teixeira Dias transforma os descobrimentos em uma ponte entre Brasil e Portugal

Representando a cidade de Arraiolos, Nuno Rosa Teixeira Dias apresenta uma obra inspirada nos descobrimentos portugueses e nos laços históricos que unem Brasil e Portugal.


O trabalho utiliza símbolos carregados de significado. A cruz faz referência às caravelas que cruzaram o Atlântico durante as grandes navegações. O vermelho remete ao tradicional pigmento utilizado para tingir a lã dos famosos Tapetes de Arraiolos, obtido historicamente a partir do pau-brasil.


Já os diferentes tons de azul representam o oceano que separa os dois países, enquanto as letras que formam a palavra BRASIL assumem a forma simbólica das embarcações responsáveis por aproximar os dois povos.


A composição propõe uma leitura contemporânea da história compartilhada entre as duas nações, utilizando elementos tradicionais do artesanato português para construir uma narrativa visual sobre identidade, memória e encontro entre culturas.


Nuno Rosa Teixeira Dias nasceu em Cascais e viveu grande parte da vida em Évora. É licenciado em Turismo pela Universidade de Évora e pós-graduado em Direção Hoteleira pela Universidade Lusófona.


Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, descobriu nos tradicionais Tapetes de Arraiolos uma nova forma de expressão artística. O que começou como um hobby transformou-se em profissão com a criação da marca O Senhor Almofada, hoje registrada em Portugal.


Seus trabalhos já foram apresentados em programas das emissoras RTP, SIC, TVI e Porto Canal, além de receber destaque em jornais e revistas portugueses, tornando-se uma referência contemporânea na valorização dessa tradicional arte têxtil.



Joaquim Pinto homenageia as riquezas minerais brasileiras em escultura de papel machê

Da cidade de Barcelos, uma das mais tradicionais referências do artesanato português, Joaquim Pinto participa da exposição com uma obra produzida em papel machê inspirada nos minerais e nas chamadas terras raras existentes no Brasil.


A peça propõe uma reflexão sobre a diversidade geológica brasileira e a importância estratégica desses recursos naturais para o desenvolvimento tecnológico e econômico contemporâneo.


Embora seja descendente de uma família tradicional de ceramistas, Joaquim optou pelo papel machê para criar uma linguagem artística que dialoga com sustentabilidade, reaproveitamento de materiais e inovação, sem perder a conexão com suas origens artesanais.


Joaquim Pinto nasceu em Barcelos, Portugal, cidade internacionalmente conhecida pela tradição cerâmica.


Pertence a uma família de artesãos e ceramistas, mantendo vivo um ofício transmitido de geração em geração desde o tempo de seu bisavô.


Um encontro entre tradições que atravessam o Atlântico

Ao reunir artistas portugueses e brasileiros, a exposição "Brasil Original, 50+Arte" demonstra como diferentes técnicas artesanais podem dialogar com temas universais sem perder suas identidades culturais.


Filigrana em papel, artesanato inspirado nos Tapetes de Arraiolos e papel machê revelam que tradição e contemporaneidade podem caminhar lado a lado. As obras apresentadas pelos artesãos portugueses reforçam que a arte continua sendo uma das formas mais sensíveis de aproximar povos, preservar memórias e construir novas interpretações sobre uma história compartilhada entre Brasil e Portugal.




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