Um gesto que leva poucos minutos pode representar uma nova chance de vida para até quatro pessoas. Essa é a principal mensagem do Junho Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre a importância da doação de sangue, que busca ampliar o número de doadores e garantir estoques suficientes para atender pacientes em situações de emergência, cirurgias, tratamentos oncológicos e diversas outras condições que dependem de transfusões.
Embora a necessidade por sangue seja permanente, os hemocentros costumam enfrentar períodos de baixa nos estoques, especialmente durante o inverno. Período em que as temperaturas mais baixas, as doenças respiratórias e as férias de meio de ano reduzem o comparecimento de voluntários. Enquanto isso, a demanda hospitalar permanece constante.
Segundo a Dra. Jéssica Mussel, hematologista do Hospital Santa Teresa, a doação de sangue é indispensável para o funcionamento da rede de saúde, já que não existe substituto artificial para o sangue humano. "Em situações de emergência, como acidentes, cirurgias e hemorragias, a disponibilidade imediata de sangue pode ser decisiva para salvar vidas", afirma a especialista.
Além dos atendimentos de urgência, pacientes com câncer, anemias graves e outras doenças hematológicas dependem de transfusões frequentes para dar continuidade ao tratamento. Como o sangue é separado em diferentes componentes, uma única doação pode beneficiar mais de um paciente, ampliando ainda mais o impacto desse ato solidário.
Apesar da importância da doação, muitos brasileiros ainda deixam de comparecer aos hemocentros por receios infundados. Entre os principais mitos estão o medo de sentir muita dor, de ficar debilitado após a coleta ou até mesmo de contrair doenças durante o procedimento. A Dra. Jéssica explica que a doação é realizada com materiais totalmente estéreis e descartáveis, seguindo rigorosos protocolos de segurança. Antes da coleta, todos os voluntários passam por uma triagem clínica que avalia as condições de saúde e garante proteção tanto para quem doa quanto para quem recebe. "Informar-se por fontes confiáveis é essencial para superar receios e contribuir com um gesto que pode salvar vidas", destaca a médica.
Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos (sendo que menores de idade precisam de autorização dos responsáveis e a primeira doação deve ocorrer até os 60 anos), pesar no mínimo 50 quilos, estar alimentado, hidratado e apresentar documento oficial com foto. Também é importante respeitar os intervalos entre as doações e observar impedimentos temporários, como infecções, algumas vacinas, cirurgias ou tatuagens recentes.
Nesse contexto, campanhas como o Junho Vermelho desempenham papel estratégico ao reforçar que a doação não deve acontecer apenas em momentos de comoção ou quando um familiar precisa de ajuda. A proposta é incentivar um fluxo contínuo de voluntários para evitar períodos de desabastecimento e garantir que os hospitais estejam preparados para atender qualquer necessidade.
"Doar sangue deve ser um hábito solidário e recorrente, essencial para garantir o atendimento seguro de pacientes ao longo de todo o ano. É também um exercício de empatia e responsabilidade coletiva, um pequeno gesto para quem doa, mas que pode representar uma nova chance de vida para quem recebe", conclui a hematologista do Hospital Santa Teresa.


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