Tomar um remédio para aliviar
uma dor de cabeça, controlar uma febre ou combater um mal-estar passageiro parece
uma atitude simples e inofensiva. No entanto, a automedicação, prática adotada
por grande parte da população brasileira, pode trazer consequências sérias para
a saúde quando realizada sem orientação adequada.
Segundo a farmacêutica e
professora da UNIFASE, Priscilla Feijó, o problema vai muito além dos possíveis
efeitos colaterais. O uso inadequado de medicamentos pode mascarar sintomas
importantes, dificultando o diagnóstico de doenças, além de provocar
intoxicações, reações adversas, lesões em órgãos como fígado e rins e
interações medicamentosas potencialmente perigosas.
Entre os medicamentos mais
utilizados sem prescrição estão analgésicos, anti-inflamatórios e antiácidos.
Embora sejam facilmente encontrados nas farmácias, isso não significa que estejam
livres de riscos. O paracetamol, por exemplo, pode causar danos hepáticos
quando utilizado em excesso, enquanto alguns anti-inflamatórios podem afetar a
função renal e interferir na ação de medicamentos para hipertensão.
A popularização das informações
de saúde na internet e nas redes sociais também tem contribuído para o aumento
da automedicação. Muitas pessoas tentam identificar doenças a partir de
sintomas isolados e iniciam tratamentos por conta própria, sem considerar que
uma mesma manifestação pode estar associada a diferentes condições clínicas.
Outro ponto de atenção é o uso
indiscriminado de antibióticos, que favorece o surgimento de bactérias
resistentes e representa um dos maiores desafios da saúde pública mundial. A
especialista também alerta para os riscos do consumo sem orientação de
vitaminas, suplementos, fitoterápicos e das chamadas "canetas
emagrecedoras", que podem apresentar contraindicações e exigir
acompanhamento profissional.
Crianças e idosos merecem
atenção especial, já que apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos dos
medicamentos. Nos idosos, o uso simultâneo de diferentes remédios aumenta o
risco de interações medicamentosas, enquanto nas crianças o organismo ainda
está em desenvolvimento.
Para Priscilla Feijó, a
orientação de profissionais de saúde continua sendo a forma mais segura de
garantir tratamentos eficazes e evitar complicações. "Medicamentos podem
aliviar sintomas, mas nem sempre resolvem a causa do problema. Quando os
sintomas persistem ou se repetem, é fundamental buscar avaliação profissional
para um diagnóstico adequado", destaca.
A entrevista completa está
disponível no canal da UNIFASE TV, no Youtube, acessando este link.


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