| Foto Profissional. (Crédito: pexels.com) |
Para a fisioterapeuta Dra.
Mariana Milazzotto, o resultado de cirurgias como lipoaspiração abdominal e
abdominoplastia depende não só da técnica cirúrgica, mas também da forma como o
corpo se reorganiza nas semanas seguintes ao procedimento.
O aumento da procura masculina
por procedimentos estéticos na região abdominal acompanha uma mudança mais
ampla no comportamento em relação à aparência e ao cuidado com o corpo. Dados
da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética mostram que o Brasil
realizou cerca de 2,35 milhões de cirurgias plásticas em 2024, liderando o
ranking mundial de procedimentos cirúrgicos. No país, a lipoaspiração foi a
cirurgia estética mais realizada, com 289.766 procedimentos, enquanto a
abdominoplastia somou 192.961 casos e ficou entre as cinco cirurgias mais
frequentes.
No público masculino, a
participação também avançou. Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica, os homens já respondem por cerca de 30% dos procedimentos
estéticos realizados no país, ante 5% há cinco anos, com aumento de 72 mil para
276 mil intervenções anuais. Entre os procedimentos mais procurados por eles
está a lipoaspiração, frequentemente associada à busca por melhor definição
corporal.
Para a fisioterapeuta Dra.
Mariana Milazzotto, o crescimento desse tipo de demanda reforça a necessidade
de ampliar o debate sobre o pós-operatório. “A cirurgia modifica o contorno,
mas também interfere na forma como o corpo se movimenta e se organiza depois. A
região abdominal participa da postura, da estabilização do tronco, da mecânica
respiratória e de vários movimentos do dia a dia. Quando a recuperação é
tratada apenas como um período de espera, parte importante do processo acaba
sendo negligenciada”, afirma.
Pós-operatório envolve mais do que cicatriz
Em procedimentos como
abdominoplastia e lipoaspiração abdominal, o organismo responde com edema, dor,
sensação de repuxamento, rigidez e redução temporária da mobilidade. Essas
manifestações fazem parte da resposta inflamatória ao procedimento, mas podem
interferir na rotina, no conforto e na retomada progressiva das atividades.
Segundo Mariana Milazzotto, é
comum que o paciente associe recuperação a repouso e cicatrização visível, sem
considerar que o corpo passa por um processo mais amplo de reorganização. “Não
é só a pele que muda. A parede abdominal pode ficar mais sensível, a postura
tende a se alterar, a respiração pode ficar mais curta e o paciente muitas
vezes passa a se movimentar com receio. Tudo isso precisa ser observado no
pós-operatório”, explica.
Funcionalidade abdominal também precisa ser preservada
Do ponto de vista
fisioterapêutico, a recuperação após cirurgia abdominal envolve preservar não
apenas o resultado estético, mas também a funcionalidade da região operada. A
parede abdominal participa da estabilização do tronco, do controle postural e
da transferência de força em movimentos como caminhar, levantar, tossir e mudar
de posição.
“Quando essa função não é
considerada, o paciente pode compensar com a lombar, manter um padrão
respiratório inadequado, evitar certos movimentos e prolongar desconfortos que
poderiam ser melhor manejados com orientação e acompanhamento”, afirma Mariana
Milazzotto.
O que o paciente precisa saber
sobre a recuperação
Segundo Milazzotto, um dos principais pontos é entender que o pós-operatório não termina com a alta médica imediata. A qualidade da recuperação depende de condutas adotadas ao longo das semanas seguintes e da forma como o corpo responde ao procedimento.
Entre os cuidados mais
importantes, a especialista destaca:
- seguir corretamente as orientações médicas e fisioterapêuticas;
- evitar esforços antes do tempo recomendado;
- observar dor persistente, edema excessivo, endurecimentos e alterações de sensibilidade;
- respeitar o tempo de cicatrização dos tecidos;
- retomar a mobilidade de forma gradual e orientada.
“Há pacientes muito atentos ao
resultado visual e pouco atentos à forma como o corpo está funcionando. Só que
conforto, mobilidade, postura e qualidade do movimento influenciam tanto a
recuperação quanto o próprio resultado no médio prazo”, diz.
O aumento da participação
masculina em cirurgias abdominais ajuda a ampliar a discussão sobre o que vem
depois do procedimento. Para especialistas, segurança, cicatrização e
funcionalidade não devem ser tratadas como etapas secundárias, mas como parte
do resultado final.
“A estética importa, mas o
abdômen não cumpre apenas um papel visual. Ele participa do movimento, da
sustentação e da estabilidade do corpo. Preservar essa função no pós-operatório
é parte essencial de uma recuperação adequada”, conclui Mariana Milazzotto.


Postar um comentário
Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.