| Serpentes, obra de Jaider Esbell no CCSQ / Foto: André Carvalho |
Como parte da programação
prévia do Festival Sesc de Inverno 2026, o Centro Cultural Sesc
Quitandinha, em Petrópolis, inaugura no dia 27 de junho a exposição "Mais
belo é o rio que corre", com visitação gratuita até fevereiro de 2027. Com
curadoria de Marcelo Campos e assistência de curadoria de Rodrigo
Duarte, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas sul-americanos
e de outros continentes em diferentes linguagens artísticas para refletir
sobre os rios como espaços de encontro, memória, resistência e transformação.
Partindo da imagem do encontro
entre rios, “Mais belo é o rio que corre” toma a confluência como conceito
central. Quando dois rios se encontram, eles podem correr lado a lado por algum
tempo, preservando cores e densidades distintas antes de se combinarem. Mesmo
unidos, não deixam de carregar suas origens. A confluência, nesse sentido, é entendida
como um encontro que amplia, fortalece e transforma, sem apagar diferenças.
Em diálogo com a poética
de Alberto Caeiro e o pensamento de Antônio Bispo dos Santos, a
exposição emerge dos meandros das águas e escorre pelos fluxos da confluência
entre saberes, pessoas e temporalidades. A proposta dialoga diretamente com o
conceito do Festival Sesc de Inverno 2026, que celebra o verbo “afluir” como
gesto de encontro. Ao tomar a confluência entre rios como metáfora, a exposição
amplia esse debate para pensar as relações entre arte, natureza e sociedade,
valorizando a convivência entre diferentes saberes, territórios e modos de
existir.
Esse diálogo se expande também
para a literatura, com a participação de importantes autores contemporâneos que
contribuem com textos inéditos especialmente desenvolvidos para a exposição.
Estão presentes textos de Leda Maria Martins, Jeferson Tenório, Itamar
Vieira Junior e Marcia Kambeba. Suas escritas aprofundam as reflexões
propostas pela mostra, trazendo perspectivas sobre memória, território,
ancestralidade e modos de existência.
“Mais belo é o rio que corre”
reúne artistas e obras de diferentes territórios, principalmente da América
Latina, entre eles Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana
Francesa, além de países como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras observam
lugares fronteiriços e reconhecem os rios como entidades vivas, fundamentais
para a manutenção da biodiversidade, dos ecossistemas e dos ciclos da vida.
Entre os destaques está uma
instalação inédita do artista chileno Alfredo Jaar, concebida para a
cúpula do Centro Cultural Sesc Quitandinha. O percurso inclui ainda
experiências imersivas ligadas à arte cinética que dialogam com nomes
como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, em instalações de luz e
movimento que convidam o público a vivenciar experiências sensoriais próximas
ao "banzeiro", termo amazônico associado ao movimento intenso das
águas e ao estado de vertigem provocado por elas.
Outro destaque é a
instalação Serpentes, de Jaider Esbell, que ocupará, pela primeira
vez, o lago do Centro Cultural Sesc Quitandinha. Composta por esculturas
infláveis, a obra integra o percurso expositivo e amplia a relação da mostra
com a paisagem e com a presença simbólica das águas. Também integram a exposição
artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija
Škarnulytė.
Ao reunir artistas, escritores
e diferentes perspectivas sobre as águas, "Mais belo é o rio que
corre" convida o público a pensar os rios não apenas como recursos
naturais, mas como presenças vivas e indispensáveis. Em tempos de crise
climática, a exposição propõe imaginar outras formas de coexistência, mais
atentas à diversidade, à interdependência e à continuidade da vida.
Serviço:
Exposição "Mais belo é o rio que corre"
Local: Centro Cultural Sesc Quitandinha
Av. Joaquim Rolla, 2 – Quitandinha – Petrópolis
Abertura: 27 de junho de 2026
Período de visitação: 28 de junho de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Horário: terça a domingo e feriados, das 10h às 17h
Entrada gratuita
Programação de abertura – 27/06
10h às 14h – Abertura da exposição
11h – Performance Coral de Choros [Choratório], da artista Ana Raylander


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