O Senado vota nesta
terça-feira, 9 de abril, o Projeto de Lei nº 5.102/2023, que transforma os
Centros Federais de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet/RJ) e de
Minas Gerais (CEFET-MG) em universidades tecnológicas federais.
O projeto será apreciado no
plenário após ter recebido parecer favorável na Comissão de Educação do relator
e ex-ministro da Educação Camilo Santana. Em seu voto, o senador destacou que o
projeto reconhece a trajetória das duas instituições, que já reúnem
características de universidades tecnológicas e possuem atuação consolidada no
ensino superior, em pesquisa e em inovação. Segundo o parecer, a transformação
fortalece a educação tecnológica e amplia a capacidade de formação de
profissionais qualificados e de desenvolvimento científico e regional.
A votação no plenário do
Senado é a última etapa de análise do projeto de lei, que começou a tramitar em
2023 na Câmara dos Deputados, onde recebeu parecer favorável nas Comissões de
Administração e Serviço Público; Educação; Finanças e Tributação; e
Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovada, a iniciativa segue
para a sanção do Presidente da República.
Após a sanção, a UTFRJ e a
UTFMG consolidam, ao lado da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
(UTFPR), um novo grupo de universidades tecnológicas no país, ampliando a
presença desse modelo no ensino superior brasileiro.
Perfil das instituições
Os Centros Federais de
Educação Tecnológica (Cefets) se destacam pela oferta de cursos em três
diferentes níveis de ensino: técnico, graduação e pós-graduação.
No Rio de Janeiro, o Cefet/RJ
oferta 5.371 vagas anuais e atende, atualmente, 20.853 alunos. São 37 cursos
técnicos, 35 cursos de graduação, 7 especializações, 10 mestrados e 5
doutorados. Em Petrópolis, são ofertados quatro cursos de graduação
(Bacharelado em Engenharia de Computação, Bacharelado em Turismo, Licenciatura
em Física e Licenciatura em Matemática), um curso técnico em Telecomunicações
integrado ao ensino médio e uma pós-graduação lato sensu em Práticas, Linguagem
e ensino em Educação Básica. Além de
Petrópolis, o Cefet/RJ está presente em mais sete unidades: Angra do Reis,
Itaguaí, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Maracanã (sede), Maria da Graça e Valença.
Em Minas Gerais, o CEFET
oferta, atualmente, 4.588 vagas anuais, distribuídas entre 44 cursos técnicos,
29 cursos de graduação, 14 mestrados e 7 doutorados. A instituição está
presente em nove municípios mineiros: Araxá, Belo Horizonte, Contagem, Curvelo,
Divinópolis, Leopoldina, Timóteo, Nepomuceno e Varginha. Em 2025, 14.775 alunos
estavam com matrículas ativas nos cursos.
Somados, os dois Centros
Federais de Educação Tecnológica ofertam mais de nove mil vagas todos os anos e
contam com mais de 34 mil estudantes, número que ultrapassa a população da
cidade de Arraial do Cabo, no Rio, e do município mineiro de Além Paraíba, com
cerca de 30 mil habitantes cada.
O que muda?
Com a transformação dos Cefets
em Universidades Tecnológicas, as instituições manterão a gratuidade dos cursos
e a sua estrutura acadêmica.
O projeto de lei estabelece
que ambas as universidades deverão ter organização, estrutura e competências
próprias de instituições de ensino superior, com autonomia administrativa,
financeira, patrimonial, didática e disciplinar, e serão vinculadas ao
Ministério da Educação (MEC).
Entre suas finalidades, estão
a oferta de cursos de graduação e pós-graduação, a formação de professores para
o ensino técnico e a oferta de educação profissional de nível médio e de cursos
de formação continuada. A organização institucional prevê reitoria como órgão
executivo e conselho universitário como instância deliberativa.
O patrimônio será composto por
bens, instalações e recursos já existentes, além de novas aquisições e doações.
O financiamento das universidades incluirá dotações orçamentárias da União,
receitas de serviços prestados, convênios e outras fontes previstas na
legislação.

Postar um comentário
Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.