O aumento da procura dos brasileiros por empréstimos e financiamentos revela um cenário que também é percebido pelo comércio de Petrópolis. Dados divulgados nesta quinta (02) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil mostram que a busca por crédito cresceu 31,89% em maio deste ano na comparação com o mesmo período de 2025. Na prática, isso significa mais consumidores recorrendo a empréstimos pessoais, financiamentos e outras modalidades para reorganizar as finanças, pagar contas, quitar dívidas, realizar compras de maior valor ou manter o orçamento doméstico em equilíbrio.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Petrópolis (CDL), Cláudio Mohammad, o comportamento reflete uma realidade também constatada no município. "Quando falamos em aumento da busca por crédito, estamos falando daquele consumidor que precisa de um empréstimo para colocar as contas em dia, financiar um veículo para trabalhar, reformar a casa, investir no pequeno negócio ou simplesmente conseguir atravessar um período de aperto financeiro. É uma situação cada vez mais presente na rotina das famílias brasileiras e que naturalmente repercute também no comércio local", afirma.
Segundo a pesquisa, entre os consumidores que efetivamente contrataram crédito, 82,39% optaram por empréstimos e 15,92% por financiamentos. O levantamento também mostra que 37,61% das pessoas consultadas já possuíam alguma restrição financeira no momento da análise, indicador que reforça a necessidade de atenção ao planejamento das finanças.
Na avaliação de Cláudio Mohammad, o acesso ao crédito é um instrumento importante para movimentar a economia, mas precisa acontecer de forma responsável para que não se transforme em um fator de agravamento do endividamento. "O crédito é fundamental para o consumo e para a atividade econômica. Muitas vezes ele permite que uma família faça uma compra necessária ou que um empreendedor mantenha o negócio funcionando. O problema surge quando os juros elevados fazem com que uma solução de curto prazo se transforme em uma dívida difícil de administrar”, afirma.
O presidente da CDL destaca que o comércio costuma sentir rapidamente os efeitos desse cenário. Consumidores excessivamente comprometidos com parcelas e empréstimos tendem a reduzir compras, principalmente de bens considerados não essenciais. "Quando grande parte da renda fica comprometida com financiamentos e empréstimos, sobra menos dinheiro para consumir. Isso afeta diretamente o varejo, especialmente os pequenos comerciantes, que dependem da circulação de renda na cidade. Por isso defendemos um ambiente econômico que permita crédito mais acessível, com juros compatíveis e condições para que consumidores e empresas possam crescer com segurança", aponta Cláudio Mohammad.


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