O comércio eletrônico brasileiro alcançou o maior nível de adesão já registrado no país. Pesquisa divulgada nesta quarta (29) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Offerwise Pesquisas revela que 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais realizaram ao menos uma compra online nos últimos 12 meses, o equivalente a cerca de 139 milhões de brasileiros, 20 milhões a mais do que em 2025. Embora o levantamento tenha sido realizado nas capitais, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis avalia que a transformação do comportamento do consumidor também é uma realidade nas cidades de médio porte, impulsionando investimentos do comércio local em canais digitais de venda e relacionamento.
Segundo o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad, a digitalização do varejo deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade competitiva. "Os números confirmam uma mudança de comportamento que nós também percebemos em Petrópolis. O consumidor pesquisa mais, compara preços, busca praticidade e espera encontrar as empresas nos canais digitais. O comércio local acompanhou essa transformação e vem investindo cada vez mais em ferramentas como WhatsApp, redes sociais, lojas virtuais e atendimento online, sempre buscando oferecer mais comodidade sem perder o atendimento próximo, que é uma das características do nosso varejo", afirma.
Além de conquistar novos consumidores, o e-commerce passou a fazer parte da rotina dos brasileiros: a parcela dos que compraram pela internet no último mês subiu de 54% para 66%, enquanto a média de pedidos mensais aumentou de 4,6 para 5,1. Vestuário segue liderando as compras online (48%), seguido por delivery de alimentos (42%), medicamentos e produtos de saúde (36%), cosméticos (33%) e artigos para casa (30%), confirmando a consolidação do ambiente digital como um canal de consumo cada vez mais frequente.
Para a CDL, esse cenário reforça a necessidade de integração entre os ambientes físico e digital. "Hoje não existe mais uma separação entre loja física e loja virtual. O consumidor transita entre esses dois ambientes o tempo todo. Muitas vezes ele conhece um produto pelas redes sociais, tira dúvidas pelo WhatsApp e conclui a compra presencialmente. Em outras situações, acontece exatamente o contrário. Quem consegue oferecer essa experiência integrada sai na frente", destaca Cláudio Mohammad.
Outro dado que chama a atenção é o avanço do PIX, utilizado por 72% dos consumidores nas compras online, superando o cartão de crédito como principal forma de pagamento. A pesquisa também aponta que 73% dos entrevistados realizaram compras pelo WhatsApp no último mês e que 54% compraram por meio das redes sociais nos últimos 12 meses, confirmando a consolidação desses canais como ferramentas de venda.
Na avaliação da CDL, essa mudança também é percebida entre empresas petropolitanas, inclusive pequenos e médios negócios, que passaram a utilizar os meios digitais não apenas como vitrines, mas como canais efetivos de comercialização, atendimento e pós-venda.
"O consumidor quer rapidez, praticidade e facilidade para se comunicar com a empresa. O WhatsApp, por exemplo, deixou de ser apenas um canal de atendimento e passou a fazer parte da estratégia comercial de praticamente todos os segmentos do varejo. Isso aproxima empresas e clientes e amplia as oportunidades de negócio", observa o presidente da CDL Petrópolis.
A pesquisa mostra ainda que o preço continua sendo um dos principais fatores de decisão de compra, mas a confiança ganhou ainda mais relevância. Recomendações de amigos e familiares, avaliações de outros consumidores e a reputação das lojas aparecem entre os aspectos que mais influenciam a escolha dos compradores, enquanto a publicidade feita por influenciadores digitais perde força.
Para Cláudio Mohammad, o avanço do comércio eletrônico não representa uma ameaça às lojas físicas, mas uma mudança definitiva na forma de vender. "O consumidor continua valorizando o atendimento, a confiança e a relação construída com o lojista. O que mudou foi a porta de entrada. Ela, muitas vezes, inicia na vitrine da loja e concretiza na tela do celular ou vice e versa”, aponta.


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