Silenciosas na maioria dos casos, as hepatites virais
ainda representam um importante desafio para a saúde pública. Muitas pessoas
convivem com a infecção durante anos sem apresentar sintomas, o que favorece o
diagnóstico tardio e aumenta o risco de complicações como cirrose e câncer de
fígado. É para ampliar a conscientização sobre prevenção, diagnóstico e
tratamento que acontece o Julho Amarelo, campanha nacional inspirada pelo Dia
Mundial de Luta contra as Hepatites Virais (28/07).
Segundo o Dr. Carlos Augusto dos Santos, intensivista do
Hospital Santa Teresa, um dos maiores obstáculos no enfrentamento das hepatites
virais é justamente o fato de a doença evoluir de forma silenciosa. "As
hepatites virais costumam ser silenciosas nas fases iniciais e, quando não
diagnosticadas e tratadas, podem evoluir para complicações graves, como cirrose
e tumor hepático", explica o especialista.
Embora existam diferentes tipos de hepatite, todas têm em
comum a inflamação do fígado provocada por vírus. As formas A e E são
transmitidas principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados,
estando mais associadas à falta de saneamento básico. Já as hepatites B, C e D
são transmitidas pelo contato com sangue e outros fluidos corporais, podendo
ocorrer durante relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de agulhas,
acidentes com materiais perfurocortantes, procedimentos sem esterilização
adequada e também da mãe para o bebê durante a gestação.
O grande desafio é que, quando surgem, os sintomas
costumam ser inespecíficos e podem ser confundidos com outras infecções,
incluindo náuseas, diarreia, mal-estar e cansaço. Em alguns casos, aparecem
sinais mais característicos, como pele e olhos amarelados (icterícia) e urina
escura. Ainda assim, muitos pacientes só descobrem a infecção quando o fígado
já apresenta comprometimento importante, reduzindo as chances de evitar
complicações.
Além dos danos à saúde, a falta de diagnóstico favorece a
transmissão do vírus, especialmente nos casos das hepatites B e C. Por isso,
conforme explica o especialista do Hospital Santa Teresa, conhecer as formas de
contágio, adotar medidas preventivas e procurar atendimento médico diante de
fatores de risco são atitudes fundamentais para interromper a cadeia de
transmissão.
Já a prevenção das hepatites virais está principalmente
relacionada à vacinação. Atualmente, existem vacinas contra as hepatites A e B,
no entanto, como a hepatite D depende da infecção pelo vírus da hepatite B, a
imunização também protege indiretamente contra essa forma da doença. O
especialista destaca ainda a importância da vacinação em grupos mais vulneráveis,
como profissionais da saúde e pacientes em hemodiálise, além da realização de
exames em situações de risco ou durante a doação de sangue e órgãos.
Outro avanço importante no enfrentamento das hepatites
virais é a evolução dos tratamentos. Enquanto as hepatites A e E costumam ser
autolimitadas e resolvidas pelo próprio organismo, as hepatites B e C contam
com medicamentos antivirais capazes de controlar ou eliminar o vírus. No caso
da hepatite C, as terapias atuais apresentam elevados índices de cura, reduzindo
significativamente o risco de evolução para cirrose e câncer hepático quando
iniciadas precocemente. "Hoje existem tratamentos eficazes para os
diferentes tipos de hepatite viral. O mais importante é procurar assistência
médica, seguir corretamente as orientações e iniciar o tratamento o quanto
antes, quando indicado", ressalta o Dr. Carlos Augusto.
Assim como outras campanhas de conscientização em saúde,
o Julho Amarelo busca reforçar que a prevenção e o diagnóstico não devem
acontecer apenas quando surgem sintomas. A realização de testes em pessoas com
fatores de risco, a vacinação e o acesso à informação são medidas capazes de
reduzir a transmissão e evitar complicações futuras. "Receber o
diagnóstico de hepatite não significa perder a esperança. Com acompanhamento e
tratamento adequado, é possível controlar a doença e evitar sua
progressão", conclui o intensivista do Hospital Santa Teresa.


Postar um comentário
Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.