Mais de 80 mil eleitores de Petrópolis deixaram de votar ou rejeitaram todos os candidatos nas últimas eleições presidenciais. O número equivale a aproximadamente um terço do eleitorado da cidade e coloca Petrópolis entre os municípios com maiores índices de votos ABN (abstenção, branco e nulo) do estado do Rio de Janeiro.


Agora, uma iniciativa nacional chamada Cansamos quer transformar esse contingente, frequentemente tratado como silêncio político, em participação organizada por meio da criação de polêmicos projetos de lei de iniciativa popular.


Petrópolis figura entre as cidades médias e grandes do Rio de Janeiro com maior índice de abstenção nas eleições presidenciais e os números revelam uma rejeição ao sistema político que se mantém estável ao longo dos ciclos eleitorais.


Nas eleições de 2018, a abstenção somada aos votos nulos e brancos chegou a 33,41% do eleitorado na cidade. Dos 243.659 eleitores aptos, apenas 162.244 votos foram válidos, mais de 81 mil ou não compareceram ou rejeitaram todos os candidatos. Em 2022, Petrópolis voltou a figurar entre as cidades médias e grandes do estado com maior taxa de abstenção no primeiro turno, ao lado da capital fluminense e de Araruama.


O fenômeno não é exclusividade petropolitana. No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, o total de eleitores que não votaram, votaram nulo ou em branco chegou a 37,8 milhões em todo o Brasil. Em escala nacional, o voto ABN (abstenção, branco e nulo) representa cerca de 30% do eleitorado.


A discussão ganhou alcance nacional após um vídeo publicado pela plataforma ultrapassar 14 milhões de visualizações no Instagram em menos de um mês, número superior ao alcance orgânico da maioria das publicações do presidente Lula no mesmo período. O conteúdo provocou milhares de comentários e reacendeu um debate recorrente no país: quando milhões de pessoas deixam de votar ou anulam seus votos, isso representa desinteresse ou uma forma de protesto político? 


A Cansamos se define como a primeira plataforma do país a reunir eleitores que votam branco, nulo ou se abstêm e converter essa rejeição em projetos de lei de iniciativa popular, o mesmo mecanismo constitucional que deu origem à Lei da Ficha Limpa. A plataforma já iniciou a coleta de assinaturas para duas propostas: a Lei da Nova Democracia Eleitoral, que prevê a repetição de eleições em que votos não válidos superem 50% do eleitorado, e a Lei Políticos nos Serviços Públicos, que obrigaria mandatários e seus familiares a utilizar exclusivamente saúde e educação públicas durante o mandato.


Para os idealizadores da plataforma, cidades como Petrópolis ajudam a ilustrar um fenômeno que cresce em todo o país: milhões de brasileiros continuam participando do processo eleitoral, mas sem se sentirem representados pelas opções disponíveis. A proposta da Cansamos é justamente investigar se essa rejeição pode ser convertida em participação política organizada. 


As primeiras propostas 

A plataforma já iniciou a coleta de assinaturas para dois projetos de lei de iniciativa popular. 


São eles: Lei da Nova Democracia Eleitoral, que determina que, caso votos brancos, nulos e abstenções ultrapassem 50% do eleitorado, a eleição seja refeita e novos candidatos precisam ser apresentados.


E Lei Políticos nos Serviços Públicos, que diz que todo político eleito, incluindo seus assessores e familiares diretos passariam a utilizar exclusivamente saúde e educação públicas durante o mandato.


Ambos foram registrados em cartório antes mesmo da divulgação pública, como forma de garantir transparência e autoria verificável. Além dessas propostas, outros 20 projetos de Lei de Iniciativa Popular desenvolvidos pela Cansamos já estão prontos para entrar em circulação nos próximos meses. 


A plataforma está disponível para entrevistas e para o fornecimento de dados sobre o voto ABN. 


Veja aqui o vídeo que já atingiu milhões de visualizações: clique neste link.


Mais informações: https://cansamos.org

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