A Escola de Música Santa
Cecília está com inscrições abertas para as aulas de teatro destinadas ao
público infantil, com turmas para crianças a partir de 3 anos. Sob a orientação
da atriz e professora Christiane Carvalho, as atividades são estruturadas a
partir do universo lúdico da infância e utilizam jogos, músicas, contação de
histórias, dança, expressão corporal, exercícios vocais e criação de
personagens para estimular diferentes habilidades.
Mais do que preparar as
crianças para uma apresentação, a proposta busca utilizar o teatro como uma
ferramenta de desenvolvimento. Durante as aulas, os alunos são estimulados a
ouvir, esperar a própria vez, respeitar os colegas, lidar com diferentes
emoções, ampliar a capacidade de comunicação e desenvolver a criatividade.
Segundo Christiane, o contato
com o universo teatral desde os primeiros anos pode contribuir inclusive para
experiências vivenciadas fora da sala de aula. "O teatro é muito
importante porque a criança entra nesse mundo lúdico e isso dá um suporte muito
grande. Ela precisa usar a criatividade, desenvolve o gosto pela leitura,
aprende a respeitar o coleguinha, a ouvir e a esperar a sua vez", explica.
A faixa etária indicada para a
turma infantil começa aos 3 anos e segue, aproximadamente, até os 6 ou 7 anos.
A professora ressalta, entretanto, que cada criança possui um ritmo próprio de
desenvolvimento. Por isso, as atividades são adaptadas de acordo com as
características e necessidades de cada aluno.
"Cada criança tem o seu
tempo. Tem aquelas que decoram mais rápido, que entendem mais rápido, e tem
aquelas que são mais tímidas e precisam de um pouco mais de estímulo. O
importante é que nenhuma deixe de participar", afirma.
Aprender brincando
O caráter lúdico é um dos
pilares das aulas. Para Christiane, trabalhar com crianças exige compreender a
linguagem própria da infância e utilizar a imaginação como caminho para a
aprendizagem.
As atividades podem partir de
elementos simples, como cantigas de roda, músicas, histórias, desenhos e
brincadeiras. A expressão corporal também é explorada de maneira espontânea,
com movimentos de dança e experiências que permitem às crianças descobrir
diferentes possibilidades de utilização do corpo.
Até os sons produzidos pelo
próprio corpo podem se transformar em exercícios teatrais. Palmas, batidas dos
pés, sons feitos com a boca, assobios e outros recursos são utilizados para
trabalhar ritmo, percepção e criatividade. Objetos também podem ser
incorporados às atividades para que os alunos descubram novas possibilidades
sonoras.
A professora ainda estimula a
escuta do ambiente, convidando as crianças a identificar sons ao redor e pensar
em maneiras de reproduzi-los ou incorporá-los às atividades.
A contação de histórias ocupa
outro espaço importante nesse processo. Muitas vezes, acontecimentos relatados
pelas próprias crianças são transformados em cenas. Em outras situações,
Christiane começa uma história e deixa que os alunos criem a continuação.
"Eu gosto de fazer com eles histórias inventadas. Eles ficam superanimados quando eu começo uma história e eles terminam", conta.
Corpo, voz e emoções
O trabalho corporal também
ajuda as crianças a reconhecer e expressar sentimentos. Por meio de exercícios,
elas são convidadas a observar como o corpo reage quando estão felizes, tristes
ou com medo.
A proposta parte das próprias
experiências infantis. Uma postura, um gesto ou uma expressão podem revelar uma
emoção e posteriormente ser utilizados na construção de uma personagem.
"É a essência deles que
eles estão trazendo para a cena", afirma Christiane, destacando a
espontaneidade característica da infância. A imaginação também é um elemento
fundamental. Uma simples pedra pode se transformar em uma borboleta quando a
criança entra no universo da brincadeira e acredita naquela situação.
A voz é trabalhada por meio de
músicas, imitação de animais e exercícios que exploram sons mais altos e mais
baixos. O objetivo é fazer com que a criança desenvolva segurança para se
expressar e consiga projetar a voz, especialmente em situações de apresentação.
Teatro também ajuda a vencer a
timidez
Um dos resultados percebidos
pela professora ao longo dos anos é o aumento da confiança e da capacidade de
socialização dos alunos. Crianças inicialmente tímidas podem começar com
pequenas participações, como contar uma história para a professora, falar sobre
um brinquedo ou responder durante uma brincadeira.
A partir dessas experiências,
elas gradualmente passam a interagir mais com os colegas e a se sentir seguras
para falar diante de outras pessoas.
Christiane afirma já ter
recebido relatos de pais sobre mudanças percebidas também na escola e em outros
ambientes. Segundo ela, algumas crianças passaram a conversar mais com
professores, apresentar trabalhos, brincar com outras crianças e se relacionar
melhor socialmente.
"É muito legal quando os
pais vêm falar comigo da mudança, na linguagem deles, no falar, no ouvir, de
eles prestarem atenção. Até crianças que tiveram que sair por causa do horário
da escola e que as mães ainda me encontram e falam: depois que fez teatro, ela
ficou mais comunicativa, até na escola", relata.
Respeito ao tempo de cada criança
A professora também destaca
que o teatro infantil não deve ser baseado em cobranças excessivas. Embora
existam regras e responsabilidades, a criança precisa encontrar na aula um
espaço em que possa experimentar, criar e se expressar.
Se um aluno não quiser
participar de determinado exercício, por exemplo, a opção pode ser observar os
colegas. A apresentação também não deve ser tratada como uma obrigação.
Christiane lembra de uma turma
em que decidiu, em conjunto com os pais, não realizar uma apresentação porque
havia crianças novas que ainda estavam inseguras e não tinham conseguido
decorar o texto.
"Eu respeito muito a
criança. Não sou o tipo de professora que acha que tem que fazer. Se o aluno
não quiser, eu deixo à vontade", afirma.
Ao mesmo tempo, liberdade não
significa ausência de limites. As crianças aprendem que existe um momento para
brincar, outro para ouvir uma história e outro para realizar os exercícios.
Essa organização ajuda inclusive os alunos mais agitados a desenvolver
concentração e compreender a importância de respeitar o espaço dos colegas.
"Tem que ensinar que tudo
tem limite. Agora é hora de brincar, agora é hora da contação de história,
agora é hora de ouvir, agora é hora de fazer o exercício. Tudo dentro daquele
limite", explica.
Participação da família
O envolvimento dos pais também
é considerado importante, especialmente no processo de memorização dos textos.
Para as crianças que ainda não sabem ler, a professora utiliza frases menores e
trabalha a repetição durante as aulas. Em casa, os responsáveis podem ajudar
nesse processo.
A distribuição das falas
também considera as características individuais de cada aluno. Crianças com
maior facilidade de memorização podem receber textos maiores, enquanto aquelas
que ainda estão desenvolvendo essa habilidade recebem falas menores.
"Nenhuma deixa de
participar", reforça Christiane.
A experiência também mostra,
segundo a professora, que os aprendizados desenvolvidos no teatro podem ser
levados para o cotidiano. Responsabilidade, capacidade de ouvir, respeito aos
pais e professores, convivência e organização são aspectos trabalhados durante
as atividades.
Uma construção gradual
Para Christiane, o
desenvolvimento de uma criança no teatro acontece de maneira progressiva. No
início, é natural que algumas cheguem agitadas, tímidas ou inseguras. Com o
tempo, porém, elas passam a compreender a dinâmica das aulas e até ajudam umas
às outras.
A professora conta que já
observou crianças mais comunicativas incentivando colegas tímidos a participar
e, posteriormente, os próprios alunos lembrando uns aos outros sobre a
necessidade de ouvir e respeitar o momento de cada atividade.
"Tudo é uma construção.
Tudo é degrauzinho por degrauzinho", resume.
As aulas também procuram
preservar a capacidade de criação individual. Existe um texto e uma estrutura
que precisam ser seguidos para que a história faça sentido, mas cada criança
encontra sua própria maneira de construir o personagem.
"Eu deixo a criança muito
livre para ela poder criar. Não venho com aquela coisa pronta: tem que ser
assim, tem que ser assado. Dentro daquele texto, eu deixo ela muito livre para
criar", afirma.
Para a professora, o
equilíbrio entre liberdade, responsabilidade, brincadeira e respeito é o que
permite que o teatro se torne uma experiência significativa durante a infância.
As inscrições para a turma
infantil de teatro da Escola de Música Santa Cecília estão abertas para
crianças a partir de 3 anos. Informações sobre horários, vagas e matrícula
podem ser obtidas diretamente com a instituição de segunda a sexta-feira, das
8h às 20h, na sede da Escola de Música Santa Cecília, localizada na Rua General
Osório, 192, Centro de Petrópolis, pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou
pelas redes sociais @emusicasantacecilia (Instagram) e @santaceciliapetropolis
(Facebook).
Serviço
Escola de Música Santa Cecília
Rua General Osório, 192
(25620-160) Centro, Petrópolis
– RJ

Postar um comentário
Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.