Foto: Divulgação redes sociais 



A crise do transporte público já ultrapassa os transtornos nos pontos de ônibus e começa a afetar diretamente a rotina dos moradores, o deslocamento de trabalhadores e estudantes e a própria dinâmica econômica dos distritos de Petrópolis. Diante da retirada de 32 veículos da Turp e da sequência de problemas registrados nas últimas semanas, a UNITA – Unidos por Itaipava cobra da Prefeitura, que procedeu intervenção total na empresa, uma solução imediata para recompor a operação e reestruturar o sistema em condições adequadas.


A redução da frota, determinada pela Justiça, atingiu uma operação que já era considerada insuficiente pela entidade. Das 15 linhas temporariamente suspensas ou absorvidas nos dias úteis, quatro atendiam diretamente localidades dos distritos: 670 (Araras Executivo), 672 (Águas Lindas Executivo), 719 (Jardim Americano) e 70 (Posse Gaby Executivo). Em Águas Lindas, por exemplo, o itinerário da 608 foi incorporado à 603, concentrando passageiros em uma operação que já atende uma área de grande demanda.


Para a Unita, a questão não é apenas a retirada de linhas, mas o efeito em cadeia provocado pela redução da frota. A demanda não desaparece quando uma linha deixa de operar: ela é transferida para outros coletivos, aumentando a lotação, os intervalos e o tempo de deslocamento. O impacto chega aos trabalhadores que precisam cumprir horários, às empresas que dependem da regularidade no transporte de seus funcionários e aos moradores que utilizam o sistema para acessar comércio, serviços, saúde e educação.


“Itaipava e os demais distritos não podem continuar funcionando com um transporte baseado em improvisos. Quando se reduz uma linha, não se reduz a necessidade de deslocamento daquela população. A demanda migra para outra linha, que fica mais cheia, mais sujeita a atrasos e quebras. Isso tem impacto na vida das pessoas e também na economia, porque trabalhador atrasado ou que não consegue chegar ao emprego no horário também representa prejuízo para a atividade produtiva”, afirma Alexandre Plantz, presidente da UNITA.


A situação vem sendo registrada em diferentes bairros e distritos. Nos últimos dias, relatos de usuários publicados nas redes sociais apontaram desde cancelamento de viagens e falta de veículos substitutos até problemas mecânicos e superlotação. “Está acontecendo em várias regiões, mas estamos acompanhando, em particular, a situação dos distritos”, aponta Alexandre Plantz que cobra ainda posicionamento da prefeitura: “tivemos briga dentro de coletivos justamente com a população revoltada e com razão, manifestações e muitas denúncias em redes sociais, mas nenhum pronunciamento do poder público”.



Quebras, superlotação e supressão de horários

A situação vem sendo registrada em diferentes bairros e distritos. Nos últimos dias, relatos de usuários publicados nas redes sociais apontaram desde cancelamento de viagens e falta de veículos substitutos até problemas mecânicos, superlotação e condições inadequadas de conservação. Na manhã desta terça (29), fila imensa de usuários aguardando a linha 700 rumo à Itaipava foi registrada em Bonsucesso em perfis nas redes sociais. Na manhã desta segunda (28) moradores da Posse relataram que dois ônibus da linha que atende a região apresentaram problemas, deixando passageiros sem atendimento desde aproximadamente 8h30. No mesmo dia, passageiros da linha 700 – Itaipava registraram um ônibus parado por mais de 20 minutos no terminal enquanto outro coletivo permanecia lotado; segundo o relato divulgado nas redes sociais, uma discussão entre motorista e fiscal teria contribuído para o atraso.


Já em 25 de setembro, moradores relataram que um ônibus da linha Vila Rica teria apresentado falha nos freios no dia anterior, obrigando o motorista, segundo os passageiros, a realizar uma manobra de emergência para conseguir parar o veículo. No dia 24, usuários do Vale das Videiras denunciaram ônibus lotados e veículos com problemas de conservação, incluindo bancos danificados, encostos soltos e partes metálicas expostas, além de dificuldades para embarcar e desembarcar.


Em 23 de setembro, moradores do Santa Mônica informaram que os horários de 6h10 e 15h10 não foram cumpridos depois que os veículos apresentaram problemas mecânicos e, segundo os passageiros, não houve ônibus substituto. Na mesma data, moradores do Bairro da Glória relataram que os ônibus previstos para 5h15, 5h45 e 6h15 não circularam. Segundo os relatos, nos dias anteriores apenas um ônibus teria atendido o bairro, com intervalos de aproximadamente uma hora entre as viagens.

 

 

Post a Comment

Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.

Postagem Anterior Próxima Postagem

PUBLICIDADE