| Foto: Igor Holderbaum |
O Templo do Caboclo Senhor
Ogun Sete Escudos, localizado em Petrópolis, acaba de ser certificado pelo
Ministério da Cultura (MinC) como Ponto de Cultura, por meio da Secretaria de
Cidadania e Diversidade Cultural. O reconhecimento integra a Política Nacional
de Cultura Viva, instituída pela Lei nº 13.018/2014, e coloca em evidência a
atuação cultural desenvolvida pelo terreiro e sua contribuição para a
comunidade.
A certificação reconhece
organizações e iniciativas que desenvolvem ações culturais e contribuem para a
promoção, proteção e democratização do acesso à cultura. Para o terreiro,
entretanto, o reconhecimento vai além de um certificado: representa a
valorização das tradições de matriz afro-ameríndia e de seus diferentes modos
de compreender e vivenciar a cultura.
Responsável pelo Templo, o Pai
Pedro Nogueira, sacerdote umbandista e mestre juremeiro, destaca o caráter
coletivo da conquista.
“Makuiú, Kolofé, Motumbá,
Saravá, Salve, salve, Aranauan, Axé! No dia 28 de agosto passado, o Ministério
da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural,
certificou nosso Templo, o Templo do Caboclo Sr. Ogun 7 Escudos, como Ponto de
Cultura, de acordo com a Política Nacional de Cultura Viva.
Mais que uma certificação
individual, é um reconhecimento da importância das Tradições Afro-ameríndias
como promotoras de culturas e modos de bem-viver diferentes daqueles tidos como
hegemônicos em nossa sociedade. Por este motivo, esta certificação se torna uma
conquista coletiva para nossa cidade! Uma conquista de todo o Povo de Axé!
Afinal, somos diversos em
nossos entendimentos e cosmovisões e merecemos ser respeitados em todas as
nossas formas de expressão. Assim, estendo a toda a coletividade afrorreligiosa
esse reconhecimento e essa vitória! Axé!”, afirmou Pai Pedro Nogueira.
Reconhecimento fortalece a
cultura de matriz africana e indígena
A certificação também reforça
a importância dos terreiros enquanto espaços de produção, preservação e
transmissão de conhecimentos, saberes, manifestações culturais e formas de
organização comunitária. Ao integrar a Rede Cultura Viva, o Templo passa a fazer
parte de uma política pública nacional que reconhece a cultura produzida
diretamente pelas comunidades.
Para Guilherme Freitas Gomes,
assessor de Parcerias do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC) do
Ministério da Cultura, por meio do Instituto Caminho da Roça, o reconhecimento
demonstra a importância de aproximar as políticas culturais dos territórios e
das iniciativas que historicamente promovem cultura nas comunidades.
“A certificação do Templo do
Caboclo Senhor Ogun Sete Escudos como Ponto de Cultura é uma conquista muito
importante para Petrópolis e, principalmente, para toda a comunidade de
terreiro. Os Pontos de Cultura mostram que cultura não é produzida apenas nos
grandes equipamentos ou instituições: ela também está presente nos territórios,
nas comunidades, nos terreiros, nas festas, nos saberes e nas tradições que
atravessam gerações. Esse reconhecimento pelo Ministério da Cultura fortalece a
Cultura Viva e contribui para dar visibilidade e legitimidade às tradições
afro-ameríndias como parte fundamental da diversidade cultural brasileira.”,
afirmou.
Guilherme também destaca que o
processo de certificação pode ser acessado por outras iniciativas culturais do
município.
“É muito importante que outros
terreiros, coletivos, grupos e organizações culturais de Petrópolis conheçam a
Política Nacional de Cultura Viva e verifiquem a possibilidade de também se
tornarem Pontos de Cultura. O Programa Nacional dos Comitês de Cultura, por
meio do Instituto Caminho da Roça, está à disposição para orientar e tirar
dúvidas sobre o cadastro e o processo de certificação. Os interessados podem
entrar em contato pelo e-mail comitedecultura@institutocaminhodaroca.com.br.”
A certificação do Templo do
Caboclo Senhor Ogun Sete Escudos representa, assim, não apenas o reconhecimento
de uma instituição, mas também a afirmação da diversidade religiosa e cultural
de Petrópolis, fortalecendo a presença das tradições afro-ameríndias nas
políticas públicas de cultura e na construção de uma cidade que reconheça e
respeite suas diferentes formas de expressão.
Serviço
Dúvidas sobre o cadastro
de Pontos de Cultura
Agentes culturais, terreiros,
coletivos, grupos e organizações que desejarem informações sobre a certificação
como Ponto de Cultura podem entrar em contato pelo e-mail:
comitedecultura@institutocaminhodaroca.com.br

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