A UNIFASE foi palco da
primeira edição do Simpósio Serrano de Enfermidades Hepato-Pancreato-Biliares,
que reuniu profissionais da saúde de diferentes especialidades para discutir os
avanços no enfrentamento de doenças que afetam o fígado, o pâncreas e as vias
biliares, destacando a importância de uma abordagem multidisciplinar na
assistência aos pacientes.
"Temos muitos casos de
doenças Hepato-Pancreato-Biliares na cidade, o que reforça a importância da
realização de um evento como esse em Petrópolis. Trazer profissionais de fora,
que vêm de outras realidades, para discutir casos clínicos, amplia o conhecimento
e o pensamento cientifico. Essa troca é fundamental para a formação dos nossos
alunos e também para a educação continuada dos próprios médicos. No final, quem
ganha é a população que passa a contar com uma equipe mais bem preparada para
lidar com essas questões", destaca o professor Miguel Koury Filho,
coordenador de Residência Médica (COREME) da UNIFASE e um dos organizadores do
evento.
O evento foi concebido pelos
professores da UNIFASE Miguel Koury Filho, Raul Guilherme Azevedo Macedo e
Rodrigo Badin Werneck de Carvalho, como uma maneira de ampliar o debate
iniciado a partir de reuniões semanais realizadas no Hospital de Ensino Alcides
Carneiro, para a discussão de casos de gastroenterologia.
Durante um dia inteiro,
médicos clínicos, cirurgiões, oncologistas, endoscopistas, intensivistas,
radiologistas, residentes e acadêmicos de medicina tiveram a oportunidade de
trocar experiências e conhecimentos sobre casos clínicos reais, envolvendo
quadros de esteatose hepática, cistos pancreáticos, cirrose hepática, tumores
na via biliar e metástases hepáticas de tumores colorretais.
"Trouxemos temas
altamente prevalentes, como a esteatose hepática, gordura no fígado, que é
comum para várias especialidades. Falamos também sobre a cirrose e quando o
transplante é indicado, pois no Rio de Janeiro, temos registrado um volume
significativo de casos de transplante vindos de Petrópolis, sendo essa uma das
razões que nos motivou a fazer o Simpósio na cidade", explica o médico
Rodrigo Badin, professor da UNIFASE e um dos organizadores do evento.
Quando não tratada, a
esteatose hepática pode evoluir para cirrose. De acordo com a Sociedade
Brasileira de Hepatologia, a estimativa é de que entre 20 a 30% da população
mundial seja portadora da Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA). Segundo os médicos, muitos casos de cirrose
estão relacionados à fibrose do fígado, que não necessariamente tem ligação com
o álcool, mas com a alimentação.
"O excesso de açúcar,
farinha branca e gordura podem gerar inflamação no fígado. O fígado inflamado
apresenta um quadro de fibrose por cicatrização que endurece o órgão, gerando a
disfunção hepática que pode até causar um câncer futuramente", completa o
professor Miguel Koury Filho.
Ele também falou sobre a
lesões no pâncreas, que têm sido cada vez mais diagnosticadas por conta da
tecnologia. "Às vezes, a pessoa faz uma ressonância por um outro motivo e
acaba descobrindo uma lesão no pâncreas. O médico precisa estar apto para
avaliar até onde essa lesão encontrada por acaso é importante, quando ela
precisa ser melhor investigada, tratada e a invasividade desse tratamento. Por
ser um órgão nobre, que não pode ser substituído, e de difícil acesso, a
decisão de quando operá-lo é fundamental para o paciente", conclui.
Também estiveram presentes no
Simpósio Serrano, os médicos Rodrigo Luz, Daniella Parente, Fernanda Barroso,
Raul Macedo, Marcelo Enne, Lígia Rocha, Renato Cano, Vinicius Gomes da
Silveira, Carolina Galvão, Reinaldo Fernandes, Luiza Basílio, Polyana Cordeiro
e Hanna Vasconcelos.



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