Professora e pesquisadora Cristina Rabelais, coordenadora do NIPPIS

 

Diálogos de cidadania e desenvolve Sistema Nacional de Informações sobre Deficiência

 

O novo Programa Ecoar- diálogos de cidadania, lançado no último dia 13 de outubro, tem a proposta de abordar, de forma acessível e descontraída, diversos assuntos relacionados às temáticas da cidadania e dos direitos humanos. O projeto é do Núcleo de Informação, Políticas Públicas e Inclusão (NIPPIS), fruto de um acordo de colaboração entre o Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/Faculdade de Medicina de Petrópolis (UNIFASE/FMP) e a Fiocruz.

 

"O público e os participantes de cada episódio encontrarão no Ecoar um espaço de diálogo para compartilhar seus conhecimentos e vivências. Esse projeto surgiu de percepções fundamentais do nosso grupo de pesquisa, cuja importância ficou ainda mais clara no contexto da pandemia. É preciso construirmos conexões mais efetivas entre a sociedade civil e a academia, além de traduzir o conhecimento e as reflexões realizadas no mundo acadêmico para uma linguagem acessível, permitindo que estes sejam apropriados pelo cidadão comum e fortaleçam a construção da cidadania. Fazer isso não é simples e, certamente, precisa ser construído na prática", explica a professora e pesquisadora Cristina Rabelais, coordenadora do NIPPIS. 

 

O programa, conduzido por Tuca Munhoz, ativista pelos direitos humanos e das pessoas com deficiência e consultor especializado em acessibilidade, promove bate-papos com o objetivo de informar e proporcionar conversas plurais entre os convidados e a audiência. O Ecoar - diálogos de cidadania busca somar conhecimento e reflexões aos debates atuais que trazem foco para grupos e sujeitos que são histórica, social, cultural e economicamente invisibilizados. Com tradução em libras, os próximos episódios estão agendados para os dias 10/11 e 08/12, tratando do tema Capacitismo e Dominação. O primeiro episódio está disponível no canal da Vídeo Saúde no YouTube (https://youtu.be/BWt5MIH8ENQ) e há uma articulação para que os próximos episódios sejam disponibilizados simultaneamente pelo canal da UNIFASE, no YouTube. 

 

"Com essa iniciativa, queremos criar ferramentas e estratégias que viabilizem o diálogo entre pesquisadores, gestores, ativistas e cidadãos. A divulgação científica em uma linguagem acessível facilita a democratização do conhecimento e pode contribuir para a participação das pessoas em geral. Da mesma forma, auxilia gestores no planejamento de políticas públicas com melhores resultados sobre os problemas da população. Já em relação à formação de estudantes, especialmente da área da saúde, a valorização de canais de diálogo entre academia, poder público e sociedade civil fortalece a missão social que deve acompanhá-los no exercício da profissão, já que, além de cuidar do corpo biológico dos pacientes, é necessário se comprometer com a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa com os cidadãos", frisa a coordenadora do NIPPIS. 

 

Outro importante projeto que vem sendo desenvolvido pelo NIPPIS é o Sistema Nacional de Informações sobre Deficiência – SISDEF. O seu objetivo central é desenvolver painéis de indicadores para monitoramento e análises de políticas públicas relacionadas a pessoas com deficiência e torná-los públicos, por meio de uma plataforma de informação de acesso aberto e universal. Algumas equipes multiprofissionais estão envolvidas no trabalho, atuando na construção de indicadores de várias áreas temáticas - como Educação, Trabalho e Saúde - e na construção da plataforma de informações, utilizando os mais avançados recursos de computação e acessibilidade. 

 

"As pessoas com deficiência constituem um segmento historicamente invisibilizado em termos sociais e isso se reflete na escassez de informações. Se não há informações confiáveis e periódicas sobre quantos são, como vivem e quais são suas necessidades, como planejar políticas públicas e acompanhar seus resultados? O Sistema Nacional de Informações em Saúde – SISDEF vem, portanto, sendo estruturado para fazer frente à escassez de informações e diminuir a invisibilidade de pessoas com deficiência no Brasil. É fruto de uma parceria entre a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a Fiocruz, por meio do NIPPIS", destaca a pesquisadora Cristina Rabelais. 

 

A previsão é que a primeira versão do SISDEF seja lançada nos primeiros dias de dezembro como parte dos eventos que marcarão o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, comemorado em 03 de dezembro. 

 

"O projeto Ecoar irá contribuir para divulgar os resultados disponibilizados pelo SISDEF. Estamos desenvolvendo, também, um estudo de mapeamento dos indicadores propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para avaliar o cumprimento dos direitos estabelecidos pela Convenção Internacional dos Direitos de Pessoas com Deficiência, da qual o Brasil é signatário. Como o nome diz, o NIPPIS tem como foco principal a produção de informações para possibilitar o planejamento e acompanhamento de políticas públicas, com foco na inclusão social, isto é, em grupos socialmente excluídos. Nossa intenção é fortalecer, em 2022, uma área de atuação que trabalhe a interseção entre a Informação, produzida por meio de métodos científicos, a Comunicação, especialmente valorizando a tradução do conhecimento para linguagem acessível, e a Cultura, esta última incorporada como estratégia de resgate de identidades e empoderamento social", finaliza Rabelais.

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