A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar não apenas o comércio e os serviços, mas também o mercado de apostas esportivas. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), realizada em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que 41% dos consumidores brasileiros pretendem fazer apostas em plataformas de bets durante o torneio. O levantamento, no entanto, traz um sinal de alerta para a saúde financeira das famílias: 61% dos consumidores que planejam gastar durante a competição já possuem dívidas em atraso.


O estudo mostra que o interesse pelas apostas é mais forte entre homens e consumidores das classes A e B. Além das plataformas digitais, os tradicionais bolões entre amigos seguem presentes na cultura do futebol brasileiro e devem atrair 14% dos entrevistados.


Para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis, o crescimento das apostas exige atenção, especialmente quando elas passam a ser encaradas como solução para problemas financeiros. “O entretenimento faz parte da Copa do Mundo e as apostas estão inseridas nesse contexto. O que preocupa é quando a expectativa de ganho passa a substituir o planejamento financeiro. Nenhuma aposta deve ser vista como estratégia para resolver dívidas ou equilibrar o orçamento doméstico”, afirma o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio Mohammad.


A pesquisa aponta que, entre os consumidores que pretendem apostar, 74% enxergam nas bets uma possibilidade de quitar débitos pendentes. Dentro desse grupo, 31% concordam totalmente com essa ideia e outros 43% concordam parcialmente, encarando a aposta como uma tentativa de melhorar a situação financeira por meio da sorte.


O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisado o perfil dos consumidores endividados. Entre aqueles que possuem contas em atraso, sete em cada dez já estão negativados, ou seja, com restrições de crédito.


Segundo Cláudio Mohammad, a combinação entre endividamento e expectativa de ganhos rápidos pode ampliar a vulnerabilidade financeira de muitas famílias. “Quando a pessoa aposta contando com um retorno que não é garantido, ela corre o risco de agravar uma situação que já é delicada. O ideal é que o consumidor mantenha o controle dos gastos e participe das comemorações dentro de uma realidade compatível com seu orçamento”, destaca acrescentando que a entidade comercial defende o consumo consciente porque assim ele, contínuo e saudável, garante qualidade de vida do consumidor.


O levantamento mostra ainda que, caso obtenham ganhos nas apostas, 39% dos apostadores pretendem reinvestir o dinheiro em novas apostas para tentar ampliar os rendimentos. Outros 36% afirmam que destinariam os recursos para lazer, viagens ou consumo de bens considerados supérfluos. Apenas 34% apontam a quitação de dívidas como prioridade para o uso do dinheiro.



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