Enquanto operários trabalham na construção da nova Ponte do Arranha-Céu, em Itaipava, uma outra ação, menos visível, acontece diariamente nos bastidores da obra, realizada pela Elovias. Antes que qualquer máquina toque o solo, uma equipe especializada da concessionária monitora a área para garantir a segurança dos animais silvestres que vivem na região.
Desde que começou o desmonte da antiga estrutura, em 11 de maio, diversos
animais foram identificados no local, como garças, furões, biguás, calangos,
lontras e capivaras. Quando as espécies são encontradas no espaço da
intervenção, é realizado o afugentamento para uma área próxima livre de
perigo. Caso o animal não consiga se deslocar por meios próprios para esse
espaço seguro, é realizado o resgate e posterior soltura em local adequado.
À frente deste trabalho diário está o biólogo Marcelo Madeira, responsável pelo
acompanhamento ambiental das frentes de obra da Elovias. A rotina dele envolve
identificar espécies presentes, ninhos, tocas e rotas utilizadas pelos animais.
Este monitoramento continua ao longo de toda a obra.
“Tem animal que eu já sei a hora que vai aparecer. As lontras, por exemplo,
observamos que elas passam ali no Rio Piabanha, na altura da Ponte do
Arranha-Céu, todo dia, no mesmo horário”, conta Madeira.
A movimentação do solo muitas vezes revela animais que estavam escondidos. Foi
assim que a equipe da Elovias encontrou sapos, lagartos e lagartixas escondidos
entre a vegetação e até espécies pouco conhecidas, como a chamada cobra-de-duas-cabeças,
um réptil que vive enterrado e pode passar despercebido.
Apesar da dificuldade de visualizar algumas espécies, todos os animais
registrados são afugentados do local em segurança. Todo o processo é
documentado com registros fotográficos, localização geográfica e informações
biológicas que irão compor os relatórios para o Ibama.
“Tem capivara que retorna todos os dias. Então, o afugentamento precisa ser
feito constantemente. Muitos desses animais já estão acostumados com a
movimentação humana e até com o barulho dos veículos da rodovia, o que exige
vigilância permanente”, explica Madeira.
A área da BR-040 sob administração da Elovias, entre Juiz de Fora e Rio de
Janeiro, é considerada uma das mais ricas em biodiversidade do país. Por
isso, esse cuidado ambiental está presente em todas as intervenções realizadas
pela concessionária.


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