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| Carol Pitzer Q / Foto: Yoshinori Fugita |
A escritora, dramaturga e roteirista Carol Pitzer lança, nesta quarta-feira
(17), o livro “Deoclécio Damasceno de Freitas – Um maestro negro na cidade
imperial”. A primeira sessão de lançamento acontece na data de nascimento do
maestro, no Centro de Cultura Raul de Leoni, em Petrópolis. A programação
inclui exibição do documentário “Canção para Deoclécio”, roda de conversa com a
autora, a neta de Deoclécio, Lilian Regina Marcílio Nogueira, e o historiador
Lucas Ventura da Silva, seguida de coquetel e sessão de autógrafos.
Publicado pela Rocio Produções com patrocínio do edital “do Rio ao RJ”, da
Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro
(SECEC-RJ), o livro é uma biografia ficcionalizada que combina pesquisa
histórica e criação literária para reconstruir a trajetória de Deoclécio
Damasceno de Freitas, um dos principais nomes da vida musical petropolitana nas
primeiras décadas do século XX. A obra terá um segundo lançamento no dia 20 de
junho, às 16h, no Espaço Cultural Comunitário Maestro Deoclécio de Freitas, no
Vila Rica.
Nascido em 17 de junho de 1888, em Sebollas, distrito de Paraíba do Sul,
Deoclécio pertencia à primeira geração de negros que nasceu livre no Brasil.
Chegou a Petrópolis ainda criança por conta de seu talento musical. Autodidata,
tornou-se um dos principais nomes da vida musical petropolitana: professor,
diretor e regente da Escola de Música Santa Cecília, fundador do Corpo
Orfeônico da instituição em 1937, maestro da Jazz Rio Petrópolis — banda
vencedora do concurso de melhor banda de jazz da cidade em 1934 —, além de
regente do Coro da Liga Católica JMJ e da Banda Primeiro de Setembro, em Cascatinha.
Quando morreu, em outubro de 1942, milhares de pessoas acompanharam seu cortejo
fúnebre e a Escola Santa Cecília fechou as portas durante um mês em sinal de
luto. Com o passar do tempo, porém, sua trajetória foi perdendo espaço na
memória oficial da cidade.
O processo de resgate começou em 2006, quando Lilian Regina Marcílio Nogueira,
neta do maestro, realizou a exposição “Deoclécio em Pauta”, reunindo
documentos, fotografias e partituras do avô. Em 2022, a pesquisa ganhou um novo
impulso após um encontro com Carol Pitzer, que daria origem ao documentário
“Canção para Deoclécio”, vencedor do Prêmio Maestro Guerra-Peixe na categoria
audiovisual em 2024.
“Carol Pitzer e Victor Yoshinori presentearam não apenas nossa família, mas
também a história do Brasil com mais um capítulo. Trouxeram à baila um maestro
negro autodidata, nascido em Sebollas no ano de 1888, que fez a diferença e
deixou lembranças em vida na cidade de Petrópolis e na formação de tantas
pessoas. Hoje, ‘Canção para Deoclécio’ é um filme. E agora, sua história também
ganha forma e é escrita. Muito agradecida à dramaturga, atriz e minha prima de
coração, Carol Pitzer”, destaca Lilian Regina Marcilio Nogueira, neta de
Deoclécio.
Durante a realização do filme, Carol encontrou diversas menções ao artista em
jornais, registros históricos, além de partituras originais escritas à mão pelo
maestro. Ao longo da pesquisa, contudo, percebeu que os documentos revelavam a
dimensão pública de Deoclécio, mas não davam conta de acessar seus afetos, desejos
e subjetividades.
Foi dessa percepção que nasceu o livro. Dramaturga de formação, Pitzer fez o
que sabe fazer: imaginou. A partir dos documentos que tinha em mãos, criou
cenas, contos, cartas e fragmentos que colocam o leitor dentro dos espaços frequentados
pelo maestro.
“Comecei a escrever a partir dos dados históricos, mas estava muito sofrido. Em
algum momento percebi que precisava trabalhar também com as lacunas”, conta.
“Se essas histórias não chegaram até nós, como criar um imaginário mais positivo
para as próximas gerações? Porque eu acredito que a ficção pode ser reparadora
para além do passado. Ela pode criar novos futuros.”
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| Deoclécio Damasceno de Freitas / Acervo Escola de Musica Santa Cecilia |
A própria música de Deoclécio ocupa um espaço central nesse processo de reconstrução. Metade da publicação é composta por partituras encontradas durante as pesquisas para o documentário e transcritas especialmente para o projeto. Entre elas estão “Berceuse”, “Mutt e Jeff”, “Elvira”, “Bijou”, “Ila” e “As Segadeiras e as Respigadeiras”. Uma das obras aparece reproduzida em fac-símile, preservando o formato original em que chegou a ser comercializada em uma loja de música no Rio de Janeiro — um registro raro da circulação de seu trabalho à época.
Além de integrarem o livro, as partituras também serão disponibilizadas
gratuitamente no site da Rocio Produções para impressão, pesquisa e execução
musical, ampliando o acesso à obra de Deoclécio para músicos, pesquisadores e
novos públicos.
A escolha do dia 17 para o primeiro lançamento não é por acaso. Deoclécio
Damasceno nasceu em 17 de junho de 1888. A programação começa às 18h, com a
exibição do documentário “Canção para Deoclécio”. Às 19h30, acontece uma roda de
conversa com Carol Pitzer, Lilian Regina Marcílio Nogueira e o historiador
Lucas Ventura da Silva. O encontro termina com coquetel, sessão de autógrafos e
venda de exemplares.
Já no sábado (20), às 16h, o livro será lançado no Espaço Cultural Comunitário
Maestro Deoclécio de Freitas, no Vila Rica, com a presença da historiadora
Roberta Santos Gregório.
Sobre a autora
Carolina Maria Pitzer Fugita nasceu em Petrópolis (RJ), em 1986. Tem formação em cinema e especialização em artes cênicas e dramaturgia. No teatro, assina como Carol Pitzer; no audiovisual, como Lina Maria Fugita. É autora de cinco peças publicadas — Phobos e Deimos, Enquanto ela dormia, Nomes Difíceis para Objetos Inúteis, Concórdia e Marlene — encenadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, além de exibições on-line no Chile e na Argentina.
Seu primeiro longa-metragem documentário, “Canção para Deoclécio”, recebeu o
Prêmio Maestro Guerra-Peixe na categoria audiovisual em 2024. Filha de
historiadores, desenvolve trabalhos que investigam as fronteiras entre
documento, ficção e memória.
Serviço:
Lançamento do livro “Deoclécio Damasceno de Freitas – Um maestro negro na cidade imperial”, de Carol Pitzer
17 de junho (quarta-feira), a partir das 18h
Local: Centro de Cultura Raul de Leoni (Praça Visconde de Mauá, 305 –
Centro, Petrópolis)
Programação:
18h – Exibição do documentário “Canção para Deoclécio”19h30 – Roda de conversa com Carol Pitzer, Lilian Regina Marcílio Nogueira e o historiador Lucas Ventura da Silva
20h30 – Coquetel, sessão de autógrafos e venda de exemplares
Entrada gratuita
20 de junho (sábado), às 16h
Local: Espaço Cultural Comunitário Maestro Deoclécio de Freitas (Rua B, Travessa 5, Quadra 6, Casa 13 – Vila Rica, Petrópolis)
Programação: Roda de conversa com Carol Pitzer e a historiadora Roberta Santos Gregório, seguida de sessão de autógrafos.
Entrada gratuita



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