A leve redução registrada no
número de consumidores inadimplentes em junho não foi suficiente para mudar o
cenário enfrentado pelo comércio brasileiro. Segundo levantamento da
Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, 74,8
milhões de brasileiros seguem com contas em atraso, o equivalente a 44,62% da
população adulta do país. Sobre o recuo de apenas 0,3% em relação a maio, a
Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Petrópolis avalia que a recuperação do
consumo ainda depende da reorganização financeira das famílias.
Em Petrópolis, o cenário ajuda
a dimensionar esse desafio. O município, que possui cerca de 278 mil
habitantes, contabiliza atualmente 144 mil consumidores
inadimplentes. Porém, a nitidez deste recorte deve levar em conta a
população adulta (maior de 18 anos) estimada na cidade em 232 mil pessoas.
Neste cenário, 62,07% da população em idade economicamente ativa possui
dívidas. Isso significa que três a cada cinco adultos na cidade possuem alguma
restrição ativa no CPF. Ao mesmo tempo, os 144 mil consumidores negativados,
têm dívida média superior a R$ 6,5 mil, valor acima da média nacional de R$
5.152,52 apontada pelo levantamento da CNDL e do SPC Brasil.
A cidade reúne mais de 53 mil
famílias inscritas no Cadastro Único e cerca de 17,5 mil beneficiárias do Bolsa
Família, indicadores que refletem um contingente significativo de moradores em
situação de vulnerabilidade socioeconômica.
"Quando comparamos os indicadores
nacionais com a realidade de Petrópolis, incluindo os sociais, percebemos que o
desafio é ainda maior. O valor médio da dívida do consumidor petropolitano
supera a média brasileira, o que demonstra o quanto o orçamento das famílias
continua comprometido", afirma o presidente da CDL Petrópolis, Cláudio
Mohammad.
Os dados nacionais mostram
ainda que quase três em cada dez consumidores inadimplentes possuem dívidas de
até R$ 500 e que mais de 41% devem até R$ 1 mil. Para a entidade, isso
demonstra que, em muitos casos, pendências relativamente pequenas acabam
impedindo o acesso ao crédito e limitando o consumo.
"São dívidas que, muitas
vezes, poderiam ser resolvidas por meio da negociação. Recuperar esse
consumidor é importante para ele, que volta a ter acesso ao crédito, mas também
para o comércio, que ganha novamente um cliente ativo", destaca Cláudio.
Embora a maior parte das
dívidas esteja concentrada no sistema financeiro, o presidente da CDL ressalta
que os reflexos atingem diretamente o varejo. "O comerciante sente isso
diariamente. O consumidor pesquisa mais, adia compras e prioriza apenas o
essencial. Não é falta de vontade de consumir, mas de capacidade financeira.
Isso acaba reduzindo o ritmo da atividade econômica e afeta principalmente os pequenos
negócios."
Para Cláudio Mohammad, esse
cenário reforça a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento da renda,
da educação financeira e da renegociação de dívidas. "Discutir
inadimplência é discutir desenvolvimento econômico. Quanto maior o número de
consumidores com restrições ao crédito, menor é a capacidade de consumo das
famílias e mais lenta é a recuperação do comércio. Recuperar o poder de compra
da população é uma pauta que interessa a toda a cidade."


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