Encontro ocorreu em Teresópolis
O Instituto Caminho da Roça
participou, na última quarta-feira (27), do I Festival Nacional de Cultura
Popular, realizado em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A
programação contou com a mesa “Cultura negra: entre memória, apagamento e
resistência”, realizada no Centro Cultural Feso Pro Arte.
O encontro promoveu um importante
espaço de diálogo sobre a presença negra na formação da cultura brasileira, os
processos históricos de apagamento da memória, a resistência dos territórios e
a necessidade de políticas públicas voltadas à valorização das identidades,
saberes e manifestações da população negra.
A atividade também contou com
a presença de Danielle Barros, secretária de Estado de Cultura e Economia
Criativa do Rio de Janeiro, que acompanhou a programação e reforçou a
importância do diálogo entre gestores públicos, fazedores de cultura e
representantes dos territórios. Danielle Barros ocupa a pasta estadual de
Cultura e Economia Criativa.
Lideranças negras e quilombolas no centro do debate
A mesa reuniu diferentes
experiências e perspectivas sobre a cultura negra e seus processos de
resistência. Participaram do debate Victor Santos, do Coletivo Ponto de Luz, de
Teresópolis; Sr. Celso, Mestre Veza e Amanda, lideranças do Quilombo Boa
Esperança, localizado em Areal; e Mestre Bim-binho, liderança cultural da
comunidade do Quilombo da Serra, em Teresópolis.
A mediação foi realizada por
Guilherme Freitas Gomes, historiador, conselheiro de cultura pelo segmento afro
e assessor do Programa Nacional dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura
por meio do Instituto Caminho da Roça.
Durante a atividade, foram
abordados os processos de invisibilização da população negra no interior do
estado do Rio de Janeiro e a importância da oralidade, da ancestralidade e da
transmissão de conhecimentos entre gerações.
Para Guilherme Freitas,
discutir cultura negra também significa enfrentar os processos históricos de
apagamento:
“Debater cultura negra é
assumir o compromisso de que lutaremos incansavelmente na cultura contra toda
forma de apagamento.”
O mediador também destacou a
necessidade de reconhecer a presença negra na construção histórica do
território fluminense e brasileiro, ressaltando que memória e resistência
caminham juntas.
A participação do griô Sr.
Celso, da comunidade quilombola Boa Esperança, ganhou destaque justamente pela
valorização da oralidade e da continuidade das tradições. Ao longo do debate,
ele reafirmou sua satisfação em ver seus netos e netas mantendo vivas as raízes
e demonstrando interesse em perpetuar a cultura negra e quilombola.
Cultura como espaço de resistência
A discussão também evidenciou
o papel das políticas públicas de cultura na garantia de espaço, reconhecimento
e continuidade para manifestações historicamente marginalizadas.
A participação do Instituto
Caminho da Roça integrou as ações do Programa Nacional dos Comitês de Cultura
(PNCC) e uma programação dedicada à cultura popular, reunindo diferentes
expressões culturais e ampliando o debate sobre políticas culturais,
participação social e democratização do acesso à cultura.
Mais do que reconhecer a
contribuição da população negra para a formação cultural brasileira, o encontro
reafirmou a necessidade de garantir que saberes, memórias e tradições não sejam
apagados, mas transmitidos e fortalecidos pelas novas gerações.

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