O primeiro temporal mais intenso registrado em Petrópolis poucas horas
depois da divulgação do novo plano operacional da Enel Rio para enfrentar os
efeitos do El Niño terminou com uma pergunta para o Movimento Petrópolis 2030:
se a concessionária está ampliando equipes, bases, veículos e tecnologia para
tornar o atendimento mais rápido, por que foram necessárias mais de cinco horas
para que técnicos chegassem ao trecho entre Corrêas e Nogueira e desligasse a
energia após a queda de uma árvore sobre a fiação? A espera foi relatada pela
presidente da Comdep, Fernanda Ferreira, em suas redes sociais, às 03h10 desta
quarta quando as equipes da empresa aguardavam a Enel no local para proceder a
retirada da árvore desde às 22h.
A chuva forte, acompanhada de granizo em pontos como Itaipava e
Nogueira, provocou a queda de uma árvore sobre a rede elétrica na Estrada União
e Indústria, na noite de terça-feira (15). Com fios energizados sobre a via, a
remoção da árvore dependia do desligamento da rede pela concessionária. O
trecho precisou ser interditado, provocando impactos no trânsito e no
transporte público e afetando uma das principais ligações entre os distritos. A
situação ainda repercutia na manhã desta quarta-feira (16).
O episódio ganhou ainda mais relevância porque ocorreu poucas horas
depois de a Enel Rio divulgar seu plano de operação para o verão 2026/2027,
anunciado como uma estratégia para ampliar a capacidade de resposta da empresa
diante de eventos climáticos extremos. Entre as medidas apresentadas estão a
contratação de mais de dois mil profissionais de campo, 16 novas bases
operacionais, ampliação de outras três unidades, aumento da frota e
investimentos em automação da rede. Em Petrópolis, a empresa anunciou
revitalização da base já existente.
Para o Movimento Petrópolis 2030, o episódio torna necessária uma
explicação detalhada sobre como esse novo modelo de operação será efetivamente
aplicado em Petrópolis. “A Enel acaba de apresentar um plano dizendo que terá
mais equipes, mais bases, mais veículos e mais tecnologia para responder com
mais rapidez aos eventos climáticos. Poucas horas depois, tivemos um episódio
concreto em Petrópolis e uma espera de mais de cinco horas para um procedimento
fundamental de segurança. É justamente por isso que queremos entender como esse
plano vai funcionar na prática na nossa cidade”, afirma Cláudio Mohammad, uma
das lideranças do Movimento Petrópolis 2030.
O movimento quer saber, entre outros pontos, quantas equipes estarão
efetivamente disponíveis em Petrópolis, onde estarão baseadas, quantos veículos
serão destinados à cidade, como funcionará a nova estrutura de Itaipava e qual
será o protocolo de acionamento em situações emergenciais.
Também questiona como será feita a integração entre a Enel e os órgãos
municipais que atuam nas ocorrências, especialmente em casos como queda de
árvores sobre a rede elétrica, quando a concessionária precisa realizar o desligamento
para que as equipes municipais possam trabalhar com segurança.
“Não estamos questionando a ocorrência do temporal. Uma árvore cair
durante uma tempestade é uma situação que pode acontecer. O que precisa ser
explicado é o tempo de resposta depois que o problema foi identificado e
comunicado. Uma via estratégica da cidade ficou interditada porque havia uma
rede energizada sobre a pista e a remoção dependia de uma ação da
concessionária. Isso tem consequência direta para a mobilidade, para o transporte
público e para a segurança da população”, destaca Cláudio.
O Movimento Petrópolis 2030 acompanha a atuação da Enel no município
desde sua criação e vem cobrando informações sobre investimentos, manutenção da
rede e qualidade do atendimento. Para a entidade, o episódio da noite de
terça-feira deve ser tratado como uma oportunidade para verificar, na prática,
se a estrutura anunciada pela concessionária está preparada para a realidade de
Petrópolis.
“Se o verão será marcado por eventos climáticos mais severos, como a
própria Enel está alertando, Petrópolis precisa saber exatamente qual é a
estrutura que estará à disposição da cidade. O que aconteceu entre Corrêas e
Nogueira foi um teste real de resposta. E a população tem o direito de saber
por que uma ocorrência que bloqueava uma das principais vias de ligação dos
distritos demorou tanto para ser solucionada”, completa Cláudio Mohammad.

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