O Teatro Experimental
Petropolitano (TEP) celebra 70 anos de história com uma apresentação especial
na quinta-feira, 29 de outubro, às 20h, no Teatro Imperial, em Petrópolis. A
programação reúne um documentário sobre a trajetória da companhia e sete cenas
curtas de montagens marcantes, interpretadas por integrantes de diferentes
gerações. O espetáculo também homenageia Shirley Meirelles dos Santos, que
dedicou cerca de cinco décadas ao grupo, atuando na criação de figurinos,
cenários e caracterizações.
A história do TEP começou a
ser construída em 1950, quando a demolição do antigo prédio da Escola de Música
Santa Cecília deixou sem espaço diversos grupos teatrais que ensaiavam e se
apresentavam no local. Entre eles estavam o Elenco Rosicler, o Grêmio
Litero-teatral Arthur Azevedo e o Elenco Azul de Amadores Reunidos.
Com a inauguração do novo
Teatro Santa Cecília, em 1955, surgiu a oportunidade de reunir esses artistas
em uma grande montagem. A iniciativa para a união dos grupos e criação do TEP
partiu de Paulo Gomes dos Santos e Ernesto Pereira. Frei Matheus contribuiu
apresentando o texto para a montagem, então diretor da Ordem Terceira de São
Francisco, o Frei desejava levar ao palco a peça “A Canção dos Indigentes”, de
Reynaldo Heitor de Souza, sobre a vida de Santa Isabel da Turíngia.
Os preparativos mobilizaram
atores, cenógrafos, profissionais de figurino e maquiagem, além de
representantes do poder público, do comércio, da indústria e da imprensa. A
estreia ocorreu em maio de 1956, com dez apresentações entre os dias 20 e 27,
todas com lotação esgotada. A renda foi destinada a instituições de assistência
social. O sucesso marcou a consolidação do Teatro Experimental Petropolitano.
Da formação de artistas aos
prêmios em festivais
Nas décadas seguintes, o TEP
ampliou seu repertório e conquistou espaço na cena cultural fluminense. Entre
as montagens de destaque estão “O Santo Milagroso”, “Um Tigre no Banheiro”, “A
Noite de Teresa Cibalena” e “Transas, Troças, Tragédias e Trombadas”.
A companhia também investiu no
teatro infantil, com textos de J. Eloy Santos, entre eles “O Casamento da
Bruxa”, “O Tesouro de Manteiga” e “A Galinha Borralheira”. Esta última
conquistou o prêmio de melhor espetáculo no Festival de Teatro de Saquarema,
além de reconhecimentos em outras categorias. Em 1988, “A Noite de Teresa
Cibalena” venceu o Festival de Niterói.
Ao longo de sua trajetória, o
grupo também promoveu oficinas, contação de histórias, leituras dramatizadas e
atividades educativas. O núcleo Recontando de Teatro, criado no fim dos anos
1990, contribuiu para essa atuação. Entre 2006 e 2020, a peça “Foi o Macaco”
foi encenada cerca de cem vezes, passando por escolas públicas e privadas,
distritos de Petrópolis e pela primeira edição da Festa Internacional de Teatro
de Angra dos Reis, em 2008.
Embora tenha realizado menos
montagens em determinados períodos, o TEP não interrompeu suas atividades. Em
2006, na comemoração dos 50 anos, a Fundação de Cultura de Petrópolis promoveu
uma homenagem ao grupo, com a remontagem de “A Galinha Borralheira” e uma
exposição sobre sua história. Mais recentemente, a companhia apresentou “A
Festa”, em 2024, e participou, em 2025, do projeto de Leituras Dramatizadas do
Teatro Imperial com a peça “Mulher em Decúbito”, de Nestor de Holanda.
Um acervo que preserva sete
décadas de história
A memória do TEP é preservada
por Joaquim Eloy Duarte dos Santos, criador do grupo, que mantém um acervo com
mais de três mil fotografias, vídeos, livros de atas e registros manuscritos
das montagens realizadas desde 1956. A documentação reúne informações sobre
espetáculos, elencos, equipes técnicas e apresentações, constituindo uma fonte
importante para a história do teatro em Petrópolis.
A companhia também mantém
contato com antigos integrantes. Para a celebração dos 70 anos, cerca de 20
artistas e profissionais estão reunidos, incluindo participantes de diferentes
gerações que contribuíram para a trajetória do grupo.
A preservação dessa memória
ganha destaque na programação comemorativa, que busca aproximar o público da
história do TEP e reconhecer o trabalho de artistas e técnicos que ajudaram a
construir sua identidade.
Homenagem a Shirley Meirelles
dos Santos
A proposta do espetáculo
comemorativo também nasceu do desejo de homenagear Shirley Meirelles dos
Santos, falecida em 2025. Integrante do TEP desde 1958, ela dedicou décadas à
preparação de figurinos, cenários e caracterizações, desempenhando papel
fundamental nos bastidores.
Foi no grupo que Shirley
conheceu seu futuro marido, com quem formou uma família ligada às artes. A
homenagem reconhece sua contribuição e destaca a importância dos profissionais
que, mesmo longe dos refletores, são essenciais para a realização de uma
produção teatral.
Retorno ao palco das origens
A escolha do Teatro Imperial
tem significado especial: o espaço abrigava o antigo Teatro Santa Cecília, onde
o TEP estreou em 1956. A apresentação reunirá um documentário sobre a fundação
da companhia e sete esquetes de montagens marcantes, cada uma precedida de uma
breve contextualização.
Sempre que possível, as cenas
serão interpretadas pelos atores das montagens originais. Quando isso não é
viável, outros integrantes assumem os papéis, mantendo vivo o repertório da
instituição. Ao longo de sete décadas, o TEP também contribuiu para a formação
de artistas que construíram carreiras profissionais, entre eles Vania Moreira, Natan
Cardoso, Fábio Branco e Flávia Miranda.
Após as comemorações, a
companhia pretende intensificar os ensaios, realizar novas montagens e
estabelecer a meta de produzir um espetáculo por ano. A iniciativa busca
fortalecer sua presença no cenário cultural petropolitano e ampliar o contato
com novas gerações.
Mais do que marcar uma data,
os 70 anos do Teatro Experimental Petropolitano representam a oportunidade de
reconhecer uma trajetória construída coletivamente, preservar a memória das
artes cênicas locais e reafirmar o compromisso com a difusão do teatro.
Serviço
Teatro Experimental
Petropolitano — 70 anos
Data: quinta-feira, 29 de
outubro de 2026
Horário: 20h
Local: Teatro Imperial,
Petrópolis
Duração: 90 minutos, sem
intervalo
Ingressos: a partir de R$ 5
(meia-entrada), disponíveis na bilheteria do teatro e pela plataforma Ingresso
Digital.
Acessibilidade: tradução
simultânea em Libras.
Recomendação etária: a partir
de 12 anos. Crianças menores podem assistir acompanhadas dos responsáveis.



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