Felipe Cardoso*

        

             Hoje vim falar um pouco, aqui, sobre algumas plantas medicinais e seus benefícios. Sabemos que nosso corpo necessita de nutrientes, mas muitos compostos bioativos ajudam, também, na saúde das nossas células, tecidos, órgãos e sistemas.

 

            O dente-de-leão, por exemplo, pode auxiliar na eliminação de líquidos, para quem tem retenção. Um cuidado deve ser tomado por pessoas com problemas renais. Essas plantas são fontes de potássio e algumas pessoas têm restrições, dependendo do tratamento. Cuidado, também, para pessoas com alguma obstrução intestinal ou que tenha cálculo na vesícula biliar, pois existe contraindicação, nesses casos. Para quem se interessar em obter seus benefícios, deve usar entre 3 e 4 xícaras de chá (150 mL) por dia e a preparação deve ser com 3 colheres de chá da planta inteira seca, para 150 mL de água. A planta inteira deve ser fervida junto com a água (3 – 5 minutos de fervura por decocção) e, logo após, deixada em contato por 15 minutos, antes de ingerir.

 

            A espinheira-santa pode ajudar na gastrite. Essa planta possui taninos (compostos bioativos) com essa ação. Uma atenção deve ser dada para o consumo excessivo. Essa planta, com grande quantidade de taninos, pode atrapalhar a digestão e o aproveitamento de alguns nutrientes, ou seja, ao invés de ajudar pode atrapalhar. Para quem tiver interesse, ela deve ser preparada por infusão (abafamento por 15 minutos). As folhas secas da planta (2 colheres de chá) já devem estar na xícara (vidro ou porcelana) e a água fervida (150 mL) deve ser colocada em contato, na xícara, posteriormente. Recomenda-se usar umas 3 xícaras de chá (150 mL) ao dia, para obter os benefícios. Não recomendamos o uso dessa planta por crianças menores de 6 anos, gestantes até o terceiro mês e durante o período de amamentação.

 

            Muitas pessoas pedem dicas de plantas para gases. A minha dica é a hortelã-pimenta. As folhas e parte das flores (3 colheres de café) podem ser utilizadas e ajudam muito nesses casos. A técnica é a infusão (citada acima) e deve-se utilizar entre 2 e 4 xícaras de chá (cada xícara com 150 mL) ao dia. As mesmas contraindicações colocadas acima, para espinheira-santa devem ser consideradas aqui.

 

            A alcachofra é sempre solicitada, também. Essa planta ajuda, principalmente, para quem tem dislipidemia e gordura no fígado. Seu ácido clorogênico age na vesícula biliar, estimulando sua contração e maior saída da bile para o intestino. Com isso, estimula a formação de mais bile. Nesse processo, o corpo usa gordura do fígado, para sintetizar mais conteúdo da bile, e as lipoproteínas do sangue (por exemplo a LDL – conhecida como colesterol “ruim”) tendem ao equilíbrio, assim como as gorduras que poderiam se acumular no próprio fígado. O preparo dessa planta também é por infusão (já descrita acima), com 1 colher de sobremesa, para 1 xícara de chá (150 mL). A recomendação são 3 xícaras de chá ao dia. Cuidado deve ser tomado por pessoas que têm cálculos biliares e doenças do fígado.

 

            O alho também pode auxiliar no aumento do colesterol do sangue. Não somente como alimento, mas como planta medicinal, também. A técnica de preparo é a grande diferença. Aqui, usa-se um recipiente para amassar (macerar) 1 colher de café para um cálice de água (30 mL). Devemos deixar o alho macerado com a água, durante 1 hora, e ingerir 2 cálices (total de 60 mL) por dia, antes das principais refeições (geralmente almoço e jantar; 30 mL antes de cada).

 

            O tempo de tratamento para cada planta, mencionada acima, para obtenção dos benefícios, pode variar entre as pessoas. O importante é observar os sinais, sintomas e exames laboratoriais. Para isso, seria interessante um nutricionista ou médico acompanhando. Existem algumas possíveis interações com medicamentos sintéticos, alimentos, suplementos alimentares, que podem influenciar nos efeitos dessas plantas.

 

            Todas essas plantas, citadas acima, podem ser facilmente encontradas como drogas vegetais (plantas medicinais secas), empacotadas e acessíveis, no comércio.


(*) Doutor em Ciências Nutricionais, com especialização em Fitoterapia. Professor da UNIFASE

 

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