Paulo K de Sá*

Começo essa reflexão com uma pergunta contrária. A Medicina atual tem futuro? Considerando a rápida evolução tecnológica na comunicação e na informação, além da aceleração dos processos de assistência médica virtual, o futuro nos aponta uma verdadeira revolução na prática médica. Até bem pouco tempo, era descabida a possibilidade de consulta e orientação médica on-line, mas a pandemia da COVID-19 relativizou muitas resistências em relação a este tema.

 

Em 2019, o Conselho Federal de Medicina baixou uma resolução que autoriza consultas on-line e estabelece essa resolução como um marco para auxiliar na construção de linhas de cuidado remoto por meio de plataformas digitais. Nessa resolução o CFM define:“A telemedicina é "o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde", podendo ser realizada em tempo real (síncrona), ou off-line (assíncrona). Já a teleconsulta, é a consulta médica remota, mediada por tecnologias, com médico e paciente localizados em diferentes espaços geográficos.”

 

A telemedicina e a teleconsulta ainda sofrem com a grande resistência de muitos médicos e da própria sociedade. Alegava-se a imprecisão do encontro virtual na segurança do diagnóstico e na decisão terapêutica. Porém, a pandemia COVID-19 relativizou muito todo este processo.

 

A grande proliferação de robôs capazes de realizar procedimentos com precisão muito maior, promoverá, no futuro, uma verdadeira revolução na prática médica. E isso é inevitável. Cada vez mais, os equipamentos sofisticados serão mais precisos e assumirão os algoritmos de tomada de decisão com menor risco de erro, uma vez que conseguem cruzar inúmeras variáveis de informação, para possibilitar a melhor decisão.

 

Os pacientes não precisam se deslocar várias vezes para consultas e avaliação de resultados de exames. O médico recebe os exames diretamente em seus consultórios e o prontuário eletrônico permite que vários especialistas tenham acesso ao prontuário do paciente, agilizando as respostas médicas. Problemas de saúde são abordados e as tomadas decisões são em tempo recorde, por conta desses avanços. O grande dilema a ser resolvido é que a saúde não se resume a aspectos biológicos do corpo físico. A saúde é integral e envolve elementos imprecisos como os determinantes sociais de saúde, educação, trabalho, meio ambiente, relações sociais, cultura, dentre outros. Esses elementos característicos da sociedade humana são abstratos e sistêmicos, dinâmicos e imprecisos. Como conciliar a visão integral considerando o avanço tecnológico?

 

A conciliação da alta tecnologia com a compreensão sociológica, psíquica e antropológica do ser humano são cruciais para uma verdadeira Medicina do Futuro. Nesse momento, talvez estejamos mais preparados para lidar com eventos pandêmicos do ponto de vista da rápida confecção de vacinas em tempo recorde, mas ainda estamos engatinhando em termos de socializarmos os alcances de condições de vida mais adequados para todos, fator primordial para uma boa saúde. Aspectos como solidariedade e cooperação social ainda são vistos como caridade de alguns ou benevolência de outros. 



Sem a tecnologia da “compaixão”, de nada servirão as máquinas! Alinhar todos os saberes e sabedorias é a missão da civilização humana, que corre sério risco de não mais existir se insistirmos no modelo de destruição ambiental suicida e a serviço apenas do lucro, inclusive no desenvolvimento da tecnologia em saúde alinhada às pandemias futuras.

 

(*)Coordenador do curso de Medicina da UNIFASE/FMP.

 

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