Gravação de 'Legado Germânico em Petrópolis' (Foto: divulgação)


Cineturismo é potencial na Cidade Imperial, a mais visitada por estrangeiros no Estado do Rio depois da capital


Por mais de 30 vezes Petrópolis foi cenário de filmes, novelas e minisséries.  O caso de amor entre a Cidade Imperial e as telas vem de muito tempo. Um dos primeiros filmes gravados na cidade foi “Fogo na Roupa”, de 1952, que teve o Palácio Quitandinha como palco. Mais recentemente foram filmados na cidade “Pai em Dobro” (2021), “Quem Vai Ficar com Mário?” (2020), “O Garoto” (2019), “Chacrinha: O Velho Guerreiro” (2018) e “De repente, eu te amo” (2017). O chamado turismo cinematográfico influencia na recepção de mais visitantes e agora a cidade vai ser protagonista da própria história com um documentário sobre a sua colonização. “Legado Germânico em Petrópolis” vai estrear em plataformas de streaming em 2022, ano em que o país comemora 200 anos de colonização alemã.


Manter viva a cultura é o objetivo imediato da produção que também visa investir no cineturismo.  Categoria máxima do turismo nacional, classe A do Ministério do Turismo, cidade mais visitada por estrangeiros depois da capital, com mais de 130 mil visitantes por ano, Petrópolis quer ampliar o patamar de dois milhões de pessoas que recebe anualmente.


Mesmo sendo uma cidade histórica e cultural com papel preponderante no país e tendo já sido cenário de muitos filmes, minisséries e novelas, Petrópolis não tinha ainda uma produção detalhada sobre si mesma, que contasse a sua história, sobretudo dos colonizadores. Por isso, a ideia do filme nasceu com a proposta de uma narrativa diferente, como documentário, ouvindo os descendentes dos primeiros imigrantes germânicos que chegaram à cidade há 176 anos. 


O filme, que já está sendo gravado, descreve o período de colonização por meio das histórias passadas de pai para filho ouvidas ao pé de uma lareira, no almoço de domingo, nas festas de família. E chega também a Petrópolis de hoje, em como a cidade é ainda pujante em cultura e, consequentemente, como destino turístico.


“Temos vários objetivos com essa produção começando pela preservação da memória para que ela não se perca. Temos museus, vasto material histórico, mas queremos também popularizar essa narrativa sobre a colonização. Ao mesmo tempo em que preservamos as raízes, mostramos Petrópolis para o mundo atraindo mais interesse em conhecer a cidade”, afirma Fabiano Barros, presidente do Petrópolis Convention & Visitors Bureau, entidade à frente do projeto.


 “Encantamento define as histórias que temos colhido. São faces que mostram a emoção em lembrar do que foram os antepassados e transformar esse legado em experiência de vida. São detalhes ricos, minuciosos, histórias de vida impressionantes”, afirma o cineasta Bruno Saglia da SG! Company Filmes que assina a direção e produção.  Considerado um dos grandes nomes da atualidade, ele assina o roteiro com Jane Saglia, produtora executiva do filme.  Bruno Saglia, é íntimo da cidade. Ele gravou em Petrópolis “O Garoto” e “De repente, eu te amo”.


O audiovisual como estratégia de atração de visitantes é uma das fortes tendências no turismo mundial.  Filmes, documentários, séries, novelas e programas de tevê funcionam como difusores da cultura, das paisagens e valores das regiões onde foram produzidos. O turista tem despertada a vontade de conhecer o local em que ele mergulhou nas telas. Esse imaginário turístico pode ser individual e coletivo, exemplos de como o mundo inteiro se refere à Paris, a “cidade luz” e ao “Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa”.  Petrópolis, a “cidade imperial” exerce este fascínio com espectadores querendo experimentar presencialmente as sensações, vivências, belezas e cultura pujantes em toda a parte.


Hoje, as plataformas de streaming, destino do documentário, são uma janela para mundo.  E foram potencializadas por um cenário pandêmico que reteve as pessoas em casa buscando entretenimento online. “Pai em Dobro”, estrelado por Maísa Silva foi distribuído em 190 países por meio de plataformas de streaming. Ele foi gravado no Bonfim, uma das regiões deslumbrantes da cidade. E Petrópolis parte da premissa de que espectadores se transformam em turistas e que, com o documentário “O Legado Germânico”, atrairá mais visitantes interessados na cultura, belezas naturais e as opções de entretenimento que a cidade oferece.  


No mundo há quase um bilhão de assinantes de plataformas de streaming e o Brasil é o segundo país que mais consome este tipo de entretenimento. Um levantamento feito pela empresa Finder mostrou que 64,58% da população assinam pelo menos um serviço do tipo, o que mostra a força dessas plataformas por aqui.

 

Flores Raras (Foto: divulgação)



Cineturismo: mais de 30 filmes, novelas e minisséries gravadas em Petrópolis

Um dos filmes mais famosos gravados na cidade é o premiado ´Lost Sweig’, de Sylvio Back. Com elenco internacional e produção de R$ 5,5 milhões, o longa de 2002 mostra a última semana de vida do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942), com a mulher, Lotte. O casal se refugiou em Petrópolis fugindo do nazismo.  A casa onde moravam hoje é um museu, um dos espaços mais visitados, sobretudo por estrangeiros.


Já “O Quinto dos Infernos” (2002), “Maysa: Quando Fala o Coração” (2009), “Dalva e Herivelto: uma Canção de Amor” (2010) e “Dercy de Verdade” (2012) são algumas das minisséries gravadas em Petrópolis. 


Na telinha, Petrópolis também foi cenário para novelas como “A Viagem” (1994), “Império” (2014 ) e “Pega Pega” (2017), começando com um clássico da tevê: “Guerra dos Sexos” (1983 ) com Fernanda Montenegro e Paulo Autran na primeira versão e com o remake, de 2012, também gravado na cidade.


Em estudo de 2017, a Organização Mundial do Trabalho projetou que o turismo, que corresponde a 10% do PIB mundial – responsável por um a cada 10 empregos – teria tendência a crescer 4% até 2030, mas no meio da expectativa se esbarrou com a pandemia.  Com projeções sendo refeitas e o “revenge travel”, ou turismo de vingança, com mais viagens e estadias mais demoradas, como o mercado prevê, Petrópolis que recebe dois milhões de pessoas por ano – em números pré-pandêmicos – também quer ampliar a quantidade de visitantes.

 

 

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