Psicanalista orienta como viver o período de quarentena para evitar crises de ansiedade e quadros depressivos


Neste período de quarentena muitos se perguntam: como será o futuro? Terei emprego após esse vírus ser finalmente vencido? Os cientistas encontrarão a cura nos próximos dias ou ainda vai demorar? São tantos questionamentos e tantas incertezas. A vida mudou, a rotina de antes parece estar num passado muito distante. Afinal, não é comum permanecer apenas dentro de casa por dias, sem contato presencial com amigos e familiares. 

Diante dessas condições, muitas pessoas começam a ter crises de ansiedade, podendo entrar em um quadro clínico de depressão. As mudanças em si já causam desconforto na maioria dos indivíduos, mas nesse período em que é questão de sobrevivência ficar em casa, o medo e as inseguranças se tornam grandes vilões. 

“É importante que as pessoas entendam que nada é para sempre: alegria, tristeza, felicidade, infelicidade, relacionamentos profissionais, sociais, políticos, epidemias, pandemias, guerras, paixões, enfim, nada. Essa pandemia vai passar, a peste negra passou, as duas grandes guerras passaram e a humanidade permanece viva. Podemos aproveitar esse momento em casa para refletir e admirar a beleza da nossa existência, exercitando a solidariedade”, frisa Virgínia Ferreira, psicanalista e coordenadora da Pós-graduação em Psicologia Clínica com Ênfase nas Perspectivas Breves da Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FMP/Fase), em Petrópolis.


Uma valiosa orientação é para que as pessoas não fiquem paradas em suas casas, sem terem uma real ocupação. Boas dicas são fazer pequenos reparos que não conseguem por conta da correria no dia a dia, fazer aquela arrumação no armário, retirando as peças de roupas que já não são usadas e aproveitar para doar a quem precisa, ler aquele livro que há tempos está na fila de espera por um tempo livre, assistir bons filmes, séries e realizar atividades em família. 

“Para que as pessoas não fiquem deprimidas é essencial que se mantenham ativas em casa. Evitar assistir aos noticiários o tempo todo, não ficar com a mente focada apenas para essa questão da pandemia, pois nessas condições muitas ficam em estado real de medo pelo simples fato de colocar em evidência a nossa fragilidade humana. Sabemos que somos mortais, mas não nos agrada pensar nisso, estamos sempre negando pensar na morte. E é claro, a ideia de morrer ou de perder um ente querido com essa pandemia nos apavora”, destaca a psicanalista. 

Para evitar esse desgaste psicológico, existem muitas estratégias. Além das já citadas, que tal aproveitar esse período para também dar atenção aos pequenos detalhes da vida, traçar novos projetos, conversar com seus amigos e familiares, ainda que seja através das redes sociais, brincar com os filhos, cantar, dançar, enfim, fazer com a família coisas que numa rotina normal reclamamos que não há tempo para fazer? 

“Nossa finitude é tão óbvia que, se mostra na decadência e na falência do nosso corpo. Por mais que a tecnologia e a ciência tenham evoluído, ainda não criaram uma pílula ou uma técnica que livre o sujeito de seu mais cruel pesadelo: a morte. Apesar disso, do que adianta ficar sofrendo por antecedência? Podemos morrer em instantes ou ter mais 20, 40, 60 ou 80 anos pela frente. Então, dedicar a existência a brigar contra o fim a que todo ser humano está fadado, é perda de tempo, é desgastante, é uma luta desigual. As pessoas precisam ter consciência da finitude da vida, mas essa consciência não pode impedi-las de viver, de serem felizes, de buscarem seus objetivos etc. Então, aproveite esse momento de quarentena da melhor forma possível, não apenas por você, mas por todos que te amam”, finaliza a psicanalista. 

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