Isabella entre Victoria e Elisa


Há quatro anos Bella luta contra o transtorno 

Em vídeo compartilhado em rede social ela divide os desafios diários



Gisele Oliveira - especial Petrópolis em Cena


Superação e perseverança são as palavras que movem a jovem empresária Isabella Carvalho. Quem se delicia com os quitutes maravilhosos que ela produz, não imagina a luta pessoal que ela trava todos os dias contra o fantasma da depressão. Há quatro anos, Bella recebeu o diagnóstico do transtorno e iniciou o tratamento.

 

“Atualmente, eu faço o acompanhamento com o psicólogo e com o psiquiatra. Confesso que já tentei ficar sem os remédios, mas se torna realmente impossível vencer essa doença sem seguir o tratamento prescrito pelo médico e as sessões de terapia. Durante esse processo, tenho os meus períodos mais intensos e outros mais leves”, explica.

 

Entender o processo que precisava passar para se cuidar não foi tão simples. No início, Bella não conseguia levantar da cama nem mesmo para atender às demandas profissionais. Quando recebeu o diagnóstico, ela contou com o apoio dos familiares para conseguir se ausentar da empresa em alguns momentos, ainda que temporariamente, para dar atenção à saúde.

 

“Antes de saber o que de fato estava acontecendo comigo, perdi muitos clientes. Passei por momentos em que não conseguia levantar da cama. Às vezes não são dias, são semanas. Há ocasiões em que simplesmente não quero ver ninguém, não quero responder, apenas desejo ficar no meu quarto. Depois que fui diagnosticada, já tinha o apoio dos meus colaboradores. Então, consegui delegar funções e fazer com que a empresa não dependesse apenas de mim para funcionar. Além disso, eu tenho uma família excelente, que me apoia em tudo. Quando recebi o diagnóstico, o psiquiatra solicitou à minha família que me afastasse dos cargos de alta responsabilidade da confeitaria, pois estava me trazendo muito estresse. Me considero muito privilegiada por ter a minha família e por poder contar com eles nessa missão em prol da minha saúde. Vejo que o apoio familiar foi o que me ajudou muito nesse período em que eu não estava 100%”, destaca Isabella Carvalho.

 

A confeiteira conta com apoio da família, amigos e colegas de trabalho 


Às vezes, diante de tanta correria no dia a dia para dar conta das tarefas, os primeiros sinais de que um familiar ou amigo está passando por um quadro depressivo não são observados. No entanto, para conseguir ajudar uma pessoa que se encontra em um quadro depressivo, é preciso que algumas mudanças no comportamento sejam levadas em consideração para ir em busca do auxílio de profissionais da área da saúde.   


“Via de regra, as pessoas ao se sentirem tristes sem um motivo aparente, logo se autodiagnosticam com depressão. Não é simples assim, aliás, está longe disso. A depressão é a total ausência de motivação para tudo. É óbvio, que quanto mais a depressão evolui, mais essa ausência de motivação aumenta. Feito esclarecimento básico, pode-se afirmar que, o primeiro sinal da depressão é: falta de vontade de fazer tudo aquilo que a pessoa sempre gostou e, ainda, atribuir a falta de vontade ao cansaço, ao clima, a aborrecimentos, enfim, a fatores que não são os causadores da doença. Nunca é demais lembrar que, todo e qualquer sintoma ou doença psíquica tiram da pessoa a capacidade de se relacionar e de produzir sua própria subsistência. Desta forma, ela vai se afastando do convívio social e do trabalho e, por fim, não sai mais nem de seu quarto. Depois, ela não toma mais banho, não se alimenta, não conversa com os familiares e amigos. Depressão mata. Muitas vezes, os sintomas psíquicos crescem e tomam conta da pessoa que nega estar doente”, destaca Virgínia Ferreira, psicóloga, psicanalista e professora da UNIFASE.

 

A experiência de Isabella só ressalta o quanto é fundamental o apoio da família, dos amigos e dos colegas de trabalho. Quando uma pessoa está passando por um quadro depressivo, necessita ainda mais de cuidados e atenção. Há anos, este transtorno é considerado por muitos como “doença de rico” ou, na linguagem popular, uma frescura. O preconceito e a falta de informação são os piores desafios que a sociedade ainda precisa vencer quando o assunto é saúde mental.

 

“Para ajudar, nunca se deve dizer que a pessoa está assim porque é fraca, porque não tem força de vontade e afins. A pessoa em depressão, não está depressiva porque quer, mas porque não tem forças para reagir à doença. É preciso conversar e ter muita paciência. Aos poucos, mas com insistência, para  convencê-la a procurar um profissional, via de regra, um psiquiatra para que possa medicá-la e tirá-la desse sintoma quase que paralisante e, simultaneamente, procurar uma análise para investigar as causas da depressão. O medicamento, mexe no sintoma, mas não nas causas. Desta forma, é necessário um acompanhamento psiquiátrico, a fim de suspender os sintomas, até para que a pessoa tenha condições de procurar uma análise, ir e ter condições de falar. As pessoas precisam se conscientizar que, todo e qualquer sintoma psíquico não desaparece por si só. Pelo contrário, sorrateiramente, ele vai tomando cada dia mais conta da pessoa, até que fecha todo o campo existencial dela. Aos primeiros sinais, ou seja, percebeu que seu comportamento mudou, não espere, procure uma psicoterapia, uma análise. Não dê espaço ou chance para o sintoma. Afinal, os limites da realidade já são suficientes”, explica a psicóloga.

 

Apenas quem sofre com a depressão consegue mensurar o quanto é difícil e delicado conviver com este transtorno mental. Por isso, é essencial que a pessoa não sinta vergonha de pedir ajuda.


“A minha dica para quem enfrenta a mesma situação que eu é buscar apoio na família e viver um dia de cada vez, sem se cobrar tanto. A depressão vem de altos e baixos. Em uma semana você está excelente, na outra pode estar muito mal. Às vezes, eu tenho picos de criatividade mirabolantes e maravilhosos e na semana seguinte estou super para baixo. Além disso, é essencial buscar tratamento com profissionais da área da saúde. Todas as vezes que eu tentei me cuidar sozinha, sem dar o devido crédito aos medicamentos e à terapia, não consegui ficar bem. Eu fiquei surpresa quando postei um vídeo no Instagram falando sobre as minhas fragilidades. Recebi várias mensagens de pessoas me dizendo que estavam gratas por eu me abrir, pois se identificavam com a minha luta”, comenta Bella.

 

Quem pensa que as dificuldades paralisam os sonhos da Isabella, está muito enganado. Através da Bella’s Confeitaria, a empresária se realiza fazendo o que ama e a cada dia ganha mais destaque na área. Sendo uma confeiteira de mão cheia e muito habilidosa, Bella já ganhou vários prêmios e faz planos para os próximos cinco anos. 

 

Isabella  conquistou o primeiro lugar na competição Telentos SENAC


“Em 2016, eu fiz uns cursos no SENAC. Na época, havia uma competição chamada Talentos SENAC, que era a nível local, regional e estadual. Eu consegui ganhar em primeiro lugar em todas as etapas de confeitaria. O prêmio era escolher qualquer curso do SENAC, para que eu pudesse cursar com bolsa de estudo de 100%. Eu acabei optando pelo curso de gastronomia. Em 2017, conquistei o prêmio Jovem Empreendedor. Agora, também o troféu Cidade Imperial. Nesse período de pandemia, a gente precisou se reinventar, focando as vendas praticamente por delivery. Tivemos que fechar o nosso ponto físico, porque abrimos um pouco antes da pandemia e não conseguimos sustentar os altos custos. Para o pós-pandemia, faço planos de ter uma loja de fábrica para que as pessoas possam ter um espaço para comer os nossos doces e tomar um cafezinho. Agora, vamos continuar com as nossas vendas pelo WhatsApp, iFood pelo Instagram. Além disso, sempre marcaremos presença nos eventos e nas feiras da cidade”, finaliza.


Bolo e doces da Bella's Confeitaria


Para conhecer o trabalho da Isabella e se deliciar com as maravilhas que ela produz na Bella’s Confeitaria, acesse o perfil no Instagram. Você também pode fazer suas encomendas pelo WhatsApp: (24) 99931-4372.

 

Post a Comment

Gostou da matéria? Deixe seu comentário ou sugestão.

Postagem Anterior Próxima Postagem