Rafael Louro com o filho Bernardo


“Eu tenho 36 anos, mas posso dizer que renasci”

Rafael ficou 25 dias entubado e com 90% dos pulmões comprometidos



Por Gisele Oliveira 


Foram 28 dias de muita angústia, oração e perseverança. A febre que começou como um alerta de resfriado, veio para anunciar que o tão temível vírus da COVID-19 estava infectando o corpo de Rafael. O pai de família, que acreditava estar indo ao hospital para tratar uma simples gripe, ficou surpreso ao receber a notícia de que precisaria ser internado às pressas para conseguir sobreviver.


 

“Foi muito difícil. Eu cheguei ao hospital muito cansado e febril, mas não acreditava que era por conta da COVID-19.  Meu primo, que é enfermeiro, estava ao meu lado quando fui informado de que mais de 90% dos meus pulmões já estava comprometido e a minha saturação estava em 64. Então, a equipe médica me colocou em coma induzido, pois precisava me entubar imediatamente. Foram 25 dias na UTI”, conta Rafael Louro, mecânico de motores aeronáuticos na GECelma. 


 

Enquanto lutava no leito do hospital para vencer o vírus, Cíntia intercedia pela recuperação do esposo ao lado do filho, de apenas 10 anos. Em casa, a esposa de Rafael passou a viver com muito receio do que poderia acontecer, caso o marido não conseguisse vencer a batalha, assim como aconteceu com milhares de pessoas.

 


“Eu precisei ser forte pelo Bernardo. Eu conversava com o meu filho e explicava que a nossa única saída era pedir a Deus pela recuperação do papai. Quando ele dormia, eu ia para o meu quarto desabafar com Deus e pedir para que Ele realizasse um milagre na vida do Rafael, muitas vezes com a informação dos médicos de que talvez ele não passasse daquela noite. Fomos vencendo um dia de cada vez, sempre com a incerteza do que o dia seguinte iria nos trazer”, explicou Cíntia dos Santos Hutter.

 

Rafael com a esposa Cíntia


Rafael contava com todo o suporte das equipes multiprofissionais do Hospital Unimed e também com a garra do pequeno Bernardo que, muito esperto, se aproximou dAquele que poderia colocar fim aos dias de angústia da família.


 

“Eu rezava pela recuperação do meu pai e tinha muito medo de perdê-lo. Até que um dia eu sonhei com uma pombinha e ela me contou que meu pai voltaria para casa, que ele chegaria no sábado. Eu acordei e contei para minha mãe que ela poderia ficar tranquila, pois meu pai estava sendo bem cuidado e retornaria. A pombinha estava certa, porque meu pai conseguiu vencer a doença e ainda chegar adiantado em casa, na sexta-feira”, destacou com orgulho.



Quando Cíntia ouviu o relato do filho, ficou emocionada e mais confiante na recuperação do esposo, ainda que as informações clínicas sobre o estado de saúde de Rafael não fossem ideais. O que ela e o filho não podiam imaginar era que Rafael estava sendo cuidado por uma “enfermeira” para lá de especial.

 

Rafael é devoto de Nossa Senhora Aparecida



“Enquanto estava em coma, eu sempre sentia uma enfermeira segurar as minhas mãos e me dizer que eu ficaria bem. Cheguei a vê-la algumas vezes. Era uma mulher muito bonita, com um olhar diferente. Quando saí do hospital, disse à minha esposa que eu precisava agradecê-la, pois ela esteve sempre ao meu lado, me dando muita força para continuar lutando para sobreviver. Cíntia chegou a ter ciúmes da moça, de tanto que eu falava nela. Sou grato a todos os profissionais do hospital, foram verdadeiros anjos na minha vida. No entanto, aquela moça era realmente muito especial para mim. Quando perguntei por ela, ninguém da equipe do hospital conhecia a mulher. Fiquei confuso, mas os dias passaram. Durante o meu processo de recuperação, entrei em um site para comprar algumas coisas para a minha casa e, para minha surpresa, me deparei com um anúncio que chamou a minha atenção. Era exatamente a moça que cuidava de mim no hospital, mas ela estava vestindo o manto de Nossa Senhora Aparecida, só que em uma imagem bem diferente dessa que a gente está acostumado a ver. Na mesma semana, uma amiga minha de Resende ligou e disse que a ministra da Eucaristia contou para ela que sonhou com Nossa Senhora e que Ela segurava uma pessoa nos braços, quando ela perguntou quem era, Maria respondeu que estava cuidando do filho dela, Rafael. Foi uma confirmação para mim. Me emociono ao contar, pois foi uma experiência muito forte de fé. Essa doença é agressiva, eu realmente renasci e sou grato por essa segunda chance”, relatou Rafael.

 


Na sala da casa, bem diante da família com os olhos marejados ao reviver as lembranças de um período tão doloroso, Bernardo contou que o pai é seu melhor amigo, parceiro de futebol e video game, mas também foi um bom paciente durante o período de recuperação.


 

“Eu levava meu pai ao banheiro e dava comida. A gente assistia filmes, séries e ficávamos o dia todo juntos. Foi muito bom ter o meu pai ali ao meu lado e ver a recuperação dele a cada dia”, confessou Bernardo.

 


Rafael se recuperou e não ficou com sequelas da doença. Atualmente, ele e a esposa estão vacinados e fazem muitos planos para os próximos anos. Inclusive, um dos projetos do casal é o de contar para as pessoas a experiência que tiveram durante esse período tão desafiador, para que possam encontrar esperança e conforto na fé.

 

Rafael com a família 


“Eu tenho 36 anos, mas posso dizer que renasci. Tenho uma família linda, que foi o meu alicerce quando eu passava pelo momento mais delicado da minha história. Tenho certeza de que a oração deles me sustentou, mas não posso deixar de agradecer todo o carinho, dedicação e empenho dos médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas que foram tão especiais no meu processo de reabilitação. A lição que aprendi vivenciando tudo isso foi a de que é preciso estar sempre na presença de Deus, em comunhão com Ele, ainda que a gente não saiba o que vai acontecer, precisamos confiar e entregar”, disse emocionado. 


 

Com sorriso largo no rosto e ao lado do paizão, quando perguntado sobre os planos para este Dia dos Pais, Bernardo só disse: “tia, tenho uma programação especial, mas não posso te contar agora. É uma surpresa para o meu pai”.



Assista ao vídeo da entrevista com Rafael para o Petrópolis em Cena



 

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